ESTATÍSTICA DIÁRIA

ADMIRADORES DAS IDEIAS

quinta-feira, 27 de junho de 2013

II LIVRO - PARADOXO EUNIVERSAL - NATAL, RN 1997



SEGUNDO LIVRO lançado em Natal - RN, em qualquer dia ou mês de 1997, em versos livres que abordam várias temáticas, porém intimista de concepção filosófica, onde PARADOXO EUNIVERSAL reflete a realidade humana na sua diversidade numa visão poética, ou seja, o EU universal de todos nós. Um livro com poesias que são construídas num vocábulo simples, porém com alguns neologismos que, às vezes, é preciso estar muito atento com o que os vocábulos remetem realmente, pois na leitura é preciso estar com o sentimento bastante aguçado para que se sinta o poder das palavra!


GÊNESE

Querida   leitora   Imagine   um   objeto de  idéias em que o autor é   literalmente  produtor   de sua obra   Ou seja    Um   trabalho utopilizado concretamente pelas mãos do próprio Criador. Tudo em  nome do sedento afã de Conceber.  Eis o Artesão  e  a Sua  Gênese.
Amigo  leitor     Inimagine    Procure   apenas   a  essência Como um todo   Ao se deparar com as primeiras idéias do   PARADOXO EUNIVERSAL   para perceber  a sutileza  Isto é Se existe E de inusitado talvez. 
Desentendam! 
Literalriamente    PARADOXO    EUNIVERSAL     é algo que  nunca vou conseguir terminar...  Porque a necessidade de  querer e querer  sempre inserir alguma coisa  mais É  inevitável.   E isso    Se deu   à   medida   que cogitei    finalizá-lo?... É um objeto (como já perceberam Não me habilito a chamar de livro porque não o vejo como tal)  trabalhado artesanalmente e Ao mesmo tempo Conciliado    pela    parafernália     da    informática    Onde    qualquer semelhança com esta intenção Que não é insólita Será mero PARADOXO.


                                                                    do Autor-Editor
                                                                          11.06.96


EXÓRDIO

O Paradaxo EUniversal nasceu a poesia nas mãos de M. C. Garcia, com emoções recolhidas do mundo para mostrar a vasão e evasão de todos nós perante o sonho que chamamos realidade, fazendo-nos questionar o plano material. 
Assim vemos nos seus poemas a substância que existe em cada um de nós: o futuro, o passado, o sonho, a realidade,  a esperança, etc. Isso tudo contém o Paradoxo EUniversal, esse jogo de contrários, essa troca de valores, fazendo todos entender que somente os poetas tornam o mundo mais próximo do nosso real.      



                                                         RICHARDSON ALEX




FLERTE DA EUTIMIA
  
A tranqüilidade do espírito
Com a ausência da confusão de vozes 
Faz surgir a primeira luz do dia Da cor do céu
Magnificante como um namoro rápido da natureza.
E pela raiz o orvalho resplandecente
Dá a origem da alma como uma ironia delicada
Sem arrependimento Sem fúria 
Mas gentil e silencioso
Como o que não se pode exprimir falando.
É o namoro rápido da paz de espírito
Como algo fictício na vida de um ser.
                                                          


VITORIOSA

Árvore fecunda de meu universo
Inexplicável mistério das existências 
Percorres gradativamente a elevação moral do passado
Na eterna e maior grandeza de teu coração.

Simplificas meu ser em resumo real
Eliminas impaciência em mim e tantos outros... 
Perseguição que fere em quarto pequeno e escuro
Como o dia seguinte claro de sempre
Num brilho de luz frouxa do pôr-do-sol quase morrendo.

Deusa perigosa dos pontos altos duradouros
Excedes todas as hipóteses e teorias
Na razão originária de vida dos homens que precederam Adão.
Eterna és nas conclusões duvidosas da ciência
em reunião dos homens em ilusão.

A grande força da maioria te rebaixa 
Mas a sabedoria prevalece como primeiro ensino
Desmedido no desejo de teu coração
Como um cantar para criança
Das profundezas marítimas aos rapazes 
Dependentes diretos e verdadeiros de ti.

Nunca murcha o teu orgulho Mulher formosa 
Universal como a lua És vitoriosa
Ao pensares profundamente no futuro sem vacilar.



LOURA DO POVO

Ah Essa Loura 
Emotivadora de tantos 
Ficção dos meus encantos 
Loura instigante 
Que estimula e faz viver
Aventura e leviandade
Essa Loura sem preconceitos 
Causadora de tantos defeitos
Sem discriminação 
Aceita por todas as idades
Livre para maioridade
E para menores clandestinos 
Sem riqueza sem pobreza
É aceita por toda a sociedade...

Loura que não se prostitui
Mas que prostitui mais ainda
A própria prostituta
Loura que minha mãe detesta 
E tanta mulheres outras
Essa Loura que faz e desfaz a festa...
Tão bem como só ela mesma
Essa Loura de cantos e recantos
Encantos e desencantos
Que vaga por dias e noites 
Por bares Prostíbulos
Por lares Favelas
Por metrópoles Desertos
Loura inseparável de meu pai
                                                         

De meu primo De meu adjacente
De meu colega De meu amigo
Dos que não os conheço Do inimigo...
Loura que por esporte está comigo
Com meus parentes Meus irmãos:
Na festa de aniversário
Na festa de casamento
Na festa do desnecessário
Na festa de qualquer momento
Ah Essa Loura gostosa!!!
Frígida de todos os tempos 
Dona de falsos talentos 
E quanto maior a sua frigidez
Os homens se envolvem mais e mais...

Instigadora do verão
Estimuladora do inverno
Que exalta por ilusão
Colocando-os no inferno
Loura de família errante 
Com irmãos de mesmo teor
E parentes da Alta Classe 
Residentes no exterior
De nomes alienígenas 
(Profissional Matador)
Que com a tática do sadismo 
Um dia Levou o meu avô
Em se apaixonar insaciavelmente
Por um de seus irmãos de sangue.
                                                         
Ah Essa Loura do povo:
Da loura Da mulata Da pequena
Da megera Da ninfa Da morena 
Loura que não é ciumenta 
Mas que causa ciúmes tantos 
A inúmeras donas de casa
Em verem seus próprios maridos 
Morrerem apaixonadamente Por elas
Dentro da própria morada
Loura Escrava branca
Que escraviza raça e mais raças
Como lema: a generalização
Vendidas por esquinas mil
A preços que poucos podem

Nesses imensos Brasis
Que sempre um jeitinho arranjam
Para lhe possuírem em sua vidas
(É substituta de um pedaço de pão)
Loura que desde pequeno observo
Teus passos em todos os campos
Dos que contigo vivem possuídos: 
Na Valentia dos fracos
No Estímulo dos tímidos 
Nas Atitudes dos inseguros
Na razão dos Assassinos
Na Força do Zé Ninguém
Na covardia do valentão
Na Insistência do Teimoso

No Cambaleante sem corda 
No que Cai sem ser empurrado
No que CRESCE sem ter idade
No que Fala sem ter assunto
No que dorme sem está com Sono
E No dia seguinte Só reclama 
De sua FORTE DOR de CABEÇA
 L  O  U  R  A  que  Às vezes TE BEIJO
 tI beijo Ti BeIJu  TU  bEijUU            
 Logo Me vejo
Esquecido de meu Amor Verdade
Induzido a Cantar A conquistar
Toda e qualquer mulher que aparecer:

A Loura gelada A Loura suada
A Branquinha A Larguinha 
Loura Tu és e não és minha
És e não és de ninguém
Mas és de todo mundo
Traiçoeira és tu
Entre todas que já as possui
Acariciadas em minhas mãos 
Pressas pelo o meu Coração
l O u r A  a tua Tática é demais 
Estimulas a Guerra e a paz
E ao dominares o Meu MUNDO
Lesas o Vulnerável Meu consciente
Ti bEiJO ti Beiju beijU TU

ÉS DONA da MINHA mente...



VERDEJANTE AMOR 

Ver de verde 
O verde em ti 
O verde em mim
O verde em nós 
E em tudo que é natureza
Na minha e em tua voz.

Ver de perto 
O verde folha amarelar 
O verde fruto amadurecer
O verde terra amarrotar 
Ver de jeito
O verde em qualquer lugar
Esverdinhar em teu e em meu peito

Verdejante amor!
Verde Jante a Flor!!!

Ver os olhos verdes esverdear
Ver de dentro do coração
O ver de esperança
O  “V” de vida
Verde já na terra!
Verde já aos homens!
Verde já à consciência!
VERDEJAR DE AMOR!!!

Ver de Verde o teu Eu
O meu Eu e o Nosso
VER  D’EUS NO CORAÇÃO.      



UM ECO LÓGICO

Que esse eco economize
O descaso para sê-lo lógico
com a essência de sua raiz etimológica
lógica pela razão de viver
ver transcender na proliferação
a ação a criação de toda a humanidade Idade?
de conscientização do coração São 
todos convidados a preservar Vá vacinando
vencendo vivendo voluntariando vultosamente...

Que esse eco estenda-se
Em ecolalia  no âmago de todos
os seres humanos manos ou não

Que esse eco  eternize-se 
exatamente na mente do homem
Que some sem fome do nome ecologia
Jia Cardápio de melhor restaurante 
ante o eco ecoando 
ando por todo o universo 
verso único de poesia ecológica
lógica para todo mundo 
mudo em utopia 
pia o Pássaro por liberdade 
Na alienação da nação minha e tua 
nua na rua sem exceção
são todos suicidas nas idas e vindas 
De vidas envolvidas 
No capital Tal mal em progresso
Sem sucesso cesso... cesso... cesso... 
                                                             


HOMEM PARADOXO

Afinal Quem somos?!!!
Somos o que não somos
Somamos e não amamos...
Somos o objetivo do motivo
Sem motivo pessoal
Mas extremamente Capital.

Quem Afinal Somos?!!!
Finalmente Somos o que queremos 
Sem querErmos Para sobrevivErmos. 
Somos a realização do que nunca fomos 
Nem sonhamos No desejo de terceiros 
Na realidade dos outros...

Quem somos Afinal?!!!
Somos sem afinal Infinalmente
A essência própria de todas as milacrias
Sem e com alegria Extasia Utopia...
Somos e somamos todas as crias das ias
Que vai da Democracia à Hipocrisia 
Com identidade da contradição
Somos a metaforização 
Da MULHER  PARADOXO
A Poesia da Negação.



UM POUCO DO NATURAL 
PARA O EQUILÍBRIO

Um pouco de obstáculo na vida 
para se obter as Grandes Vitórias
Um pouco de tristeza no semblante
para saber ficar mais Alegre
Um pouco de lágrimas nos olhos 
para mostrar que o choro é para todos
Um pouco de diálogo na língua 
para saber como e quando calar
Um pouco de sentimento na voz
para sentir no âmago a melodia...
Um pouco de silêncio na mente 
para se perceber o que falar
Um pouco de razão no coração 
para se dar e obter o amor 
Um pouco de erro no acerto
para se desvendar o que é correto
Um pouco de mentira à verdade
para se entender que nada é absoluto
Um pouco do ontem no hoje 
para a certeza do vindouro
Um pouco do muito no nada 
para se ter o necessário
Um pouco de morte à vida 
para a chance de outros nascimentos 
Um pouco de otimismo na fé
para que Deus seja o muito do nada que somos...

Um pouco de compreensão no Paradoxo
para que haja o verdadeiro equilíbrio!
                                                               


O SENTIR 

Quando te vi
Em algum lugar do vindouro
A minha utopia me dizia 
Em meu devaneio
Que eras real 
E o meu afã 
Tão logo se concretizou 
Te encontrei 
Quando não te procurava.
Mas o meu sentir 
Em algum lugar do pretérito
Já havia edificado o teu ser.

Antes do antes 
O existir.
Depois do depois 
O sentir...
Após a eternidade
Seremos infindos
No sentir do Nosso SENTIR.



BANOITE

Barulho brabo
Brisa boa bela 
Beijo bendita boca
Bolsa branca banco
Banheiro barba barrigada banho
Boquinha bebo bananada
Bombom bolo barriguinha bis
bate-papo bacana beleza!
Bate-bola bom!
Bate-boca bobeira babaquice!
Bate-mal
Brinco bola bebê
Bate-bem!
Boto bebezão berço benção
Baqueado baleado
Bocejo bocão!
Benzzzzzo-me 
Bem bem bem    
Banoite!!!
                                                         


DESEJO DE PENSAR

De pensamento em pensamento
Nas lacunas e nas ausências 
Vou edificando maravilhas
No deserto de meu coração.
Ora Relatadas no papel
Às vezes Impossível de se expressar
Porque a ansiedade extrapola e supera
E se torna mais veloz e atroz
Que o meu próprio raciocínio
Fazendo-me sofrer com imenso prazer de viver.
É o pensamento meu que não comunga
Com o desejo Porque a ânsia é mais forte 
E o pensamento é apenas uma ficção
Que ora se faz realidade ora contradição.

De pensamento em pensamento
Nas interrogações Nos vazios...
Vou construindo delícias
No afã de meu coração.
Há quem diga que sofro solidão.
Afinal Quem ama sofre solidão?...
Não sou capaz de definir o meu amor 
Por ninguém mais Além de mim...
Mas há quem defina tal amor que transmito?
Porque simplesmente sinto o meu coração
Metamorfosear-se em sensações de deleites 
Indescritivelmente arrebatadoras...
                                                             
Nefelibata é minh’alma extasiada 
Na felicidade desse mistério de sonhar
De desejar De Amar inusitadamente
Mesmo sem nunca saber definir esse AMOR
E todos esses sentimentos que grassam 
Em minha alma de Ser racional
Sem a mínima exatidão...

Agradeço ao mistério dessa jocosidade
Onde tudo se faz latente e abstrato
Mas que me faz livre e ao mesmo tempo
Dono Senhor e Criador dos meus sentidos 
Inconfundíveis Confusos e Paradoxais...

Sabe o homem O que pensa uma planta?...
É o mesmo querer saber a respeito o meu afã
O meu sonho e o meu sentir
Que Na maioria das vezes Me surpreendem radicalmente
Me fazendo realizador em todos 
E por todos os sentidos...

Sou a incógnita para meu próprio âmago
Ao me deparar com a contradição de mim mesmo
A cada realidade que partilho
Ante a metamorfose que o mundo vem sofrendo...

Por tudo isso Resta-me uma lacuna Uma ausência...
Sempre me resta uma imensa ânsia de Sentir...
E Quando possível Expressar e desvendar
Que a veracidade não é absoluta 
E nem tudo que se imaginava ser eterno
Se consumiu por si próprio....  como em um Suicídio.
exceto O desejo de Pensar De Amar e de Sentir...



UM QUÊ

Existe em você 
Um quê de mistério...
Um fascínio Um domínio
Que cativa meu ser...

Existe em você 
Não sei se...
Se seu olhar
Se seu jeito de falar
Se seu jeito de andar.
Seu cabelo no ar a vagar
Não sei...

Existe em você 
Um porquê exótico
Que não é de muita gente.
Algo de belo Às vezes singelo
Que embeleza o viver
Que existe em você...

Não sei se...
Se seu coração
Se a sua imaginação Sua emoção
Seu afã Sua ficção
Que faz cena Sina Ação
Fascinação!!!

Não sei...
Só sinto que existe em você 
Um quê...
UM NÃO SEI O QUÊ!...   
                                                               


CINDERELA MAMÃE

Lembro-me daquelas noites 
Já quase querendo dormir 
Mamãe sempre estava a sorrir 
Para o Pai Nosso nos ensinar.

Ah Lembro-me também
Quando Às vezes Estava a chorar
Mamãe com um singelo acalanto
Me consolava com uma canção de ninar.

E assim Eu calava o meu choro
Mas não sabia que no vindouro
De Mamãe Tão longe
Um dia iria ficar.

Sei que foi culpa do destino 
Mas sou aquele mesmo menino
Tímido Simples Pensativo
Quando o seu dia está prá chegar.

Chega o seu lindo dia 
Me sinto com imensa alegria 
Mas o coração triste Vazio
Chorando a se lamentar...

Mamãe Almejas a tua Primavera 
Te considero a minha Cinderela 
Dos meus Sonhos e Castelos 
Sempre a realizá-los.  



O PARADOXO DA MORADIA 

Brincando de casinha 
Vive a criancinha 
A sua mais pura felicidade
Morando em casinha 
Brinca o homenzinho 
A sua mais cruel realidade

Canta Dança 
Brinca de papai-mamãe
A boneca é a filhinha 
Da sua realidade infantil
Trabalha Cansa
Vivem Papai e Mamãe
Gerando filhos por brincadeira
Na sua realidade febril

Casinha de papel
Casinha de papelão
De palha de coqueiro
De folha de bananeira
Brinca-se debaixo da mangueira!
Casinha de papel
Casinha de papelão
De palha de coqueiro
De folha de bananeira
Mora-se em qualquer ribanceira!

É a criancinha É o adulto
Vivendo e brincando 
Brincando e vivendo 
Debaixo de qualquer viaduto.



ABSOLUTAMENTE SONHO

Antes do antes de minha própria concepção
Sonho
Minha vida uterina 
Sonho
Minha viva realidade
Puramente Sonho!
Antes do antes existir
Sonho
Pretérito Agora Vindouro
Sonho
O futuro do meu além-infinito
Sonho
O meu fenecer 
Eternamente Sonho
Aqui Há-de ser 
A minha mais pura realidade sonhada
Em ser o que nunca sonhei ser 
De vera Em sonho
E que nunca fui antes do nascer
Nem depois do fenecer
Por tudo não passar do Ser sonho
E de ser sonho.
Os nossos filhos 
Sonhos nossos
O filho meu
Fruto dos Eus sonhos 
Concebido em meu sonho de Ser
Um eterno Sonho de mim mesmo
E das coisas que senti e hei-de sentir
Não sonhando!
Mas sendo Absolutamente Sonho...
                                                              


Uma criança 

Com os olhos no prato
Um homem sem coração
A fez cair por terra 
Arrastada pelos manos 
Esperneava: Eu quero Pão!!!



Quando parti

Eram apenas uns mil e poucos 
Ao chegar Fui surpreendido por milhões 
Quando me dei conta De verdade
Estava sendo exterminado Sem piedade
Por uma infinidade...



Minh’Alma esfomeada

Rezei Orei
Não saciei.
Para a minha salvação
Comi um prato de poesia.
                                             

           
DOCE FEL

Na essência do paradoxo 
Deparei-me com a poesia.
Sou o paradoxo
No seio desta sociedade.
Tenho um coração 
Que ama e odeia equilibradamente
Por viver a razão e ser alheio à paixão.

Desacredito no amigo
E dou confiança ao inimigo...
Do inimigo tudo se espera
Até o comportamento de amigo
De um amigo nada se espera 
Exceto a sua traição.
Acredito que o meu inimigo
Me tirará do sufoco
Quando menos esperar
E meu amigo me virará às costas
Quando mais precisar dele.

Abdicarei do mel 
E me deleitarei do fel
Em ter no meu inimigo
O meu amigo distante:
Meu inimigo meu irmão
Meu amigo sem coração.
Obrigado meu inimigo!
Abracei-os fortemente.
                                                            


DOCE DOR

Estou vulnerável
Basta o teu olhar
Um tanto considerável
Para me Cativar.

Meu sensível coração
É de adolescente!
Entrego-me à emoção 
Mais que rapidamente.

Sou este menino
Repleto de devaneio
Seguindo meu destino 
Sem nenhum receio.

Meu coração frágil
Pássaro ferido
Meu desejo ágil
Porém  Perdido...

Vou-me achar
Talvez em você 
Delirar Deleitar-me
No sabor de viver...

Quem sabe no amor
De todas as vidas
Realçado na dor 
De todas as feridas.
                                                           


NATAL, QUALQUER DIA E MÊS DE 1997

  IMINÊNCIA DO ANO 2000



EIS O QUADRO DE UM OBJETO PINTADO COM VÁRIAS IDEIAS...  
EIS O FILHO  GERADO DO ÂMAGO DO    PENSADOR QUE SE FEZ GENITOR AO DAR A LUZ .

ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA

M. C. Garcia
Rua São Francisco, 168  
Redinha - Natal/RN 
CEP:59122-600
Contato: (84) 9676-8086 / 8769-6307
  E-mail: garciamc2001@hotmail.com

quarta-feira, 26 de junho de 2013

I LIVRO - DENDROCLASTA - SÃO PAULO, 1988


PRIMEIRO LIVRO, lançado em São Paulo, em 18 de junho de 1988, em versos livres que abordam várias temáticas, mas tem como essência a Ecologia, onde DENDRO significa árvore e OCLASTA destruidor. Um livro com poesias que são construídas num vocábulo erudito e alguns neologismos que, às vezes, é preciso pesquisar o Dicionário, até mesmo para quem é denominado de um bom leitor, pois nunca somos sabidos de tudo!

DENDROCLASTA Nas constantes visitas que faço Ao versátil livro dos homens Em busca da amplidão dos conhecimentos Bem como soluções nas diversas dúvidas Das infinidades de palavras que me deparo Existentes em nossa língua tão rica que é, DENDROCLASTA foi uma delas Que veio como uma luz divina Abrindo e desvendando caminhos de minha verve Dando a origem fundamental Do título dessa minha primeira obra. DENDROCLASTA É o que todos somos muitas vezes Quando na candura de nosso status Damos espaço livre ao progresso Ao cortarmos uma árvore para construção de uma casa mais bonita. MC Garcia



NICLES     
     
Me deste motivo    
Na razão do vazio     
do espaço em branco     
No ensejo do acaso     
Da noite taciturna     
No telefone mudo;     
Da madrugada fria      
Na melancolia dos grilos;     
Da situação passageira     
De não escutar uma canção     
De não ouvir um diálogo.     
Espaço do nada     
Na faculdade sentimental     
Como o todo inanimado     
No coração do poeta     
Em síntese poética     
Do não existir da inspiração.   


 
PERENE E EFÊMERO

Macrocosmo reflete beleza
O amor, no entanto é perene
Gente latente quer amar
Beijos cálidos e adustos em veiga
Sapiência infinita do afã
Emana veemente no latíbulo do coração

Efêmero amor afasia
Jocosidade destrói-se
Prélio chega ao epílogo
Idéias mendazes e prosaicas coagem
Desarraigam o que mananciou no coração.




FLERTE DA EUTIMIA

A eutimia com ausência da babel
Faz surgir alvor cerúleo
Pujante como flerte da natureza
E cerce o rócio rutilante
Dá a psicogênia como um asteísmo
Sem contrição, sem sanha
 Mas pulcro e taciturno
Como inefável.

É o flerte da eutimia
Como mito na vida de um ser.




VITORIOSA

Crisântemo fecundo de meu macrocosmo
Inexplicável mistério das existências
Galgas paulatinamente a eminência do pretérito
Na infinita e sublimidade de teu coração

Racionalizas meu ser em síntese real
Eliminas frenesi em mim e em tantos outros
Perseguição trucidante em cacifos
Como postrídio nítido do sempre
Num luzir crepuscular do ocaso moribundo

Diva melindrosa dos ápices perpétuos
Transcendes todas as hipóteses e teorias
Na razão originária dos pré-adamitas
Perene és em conclusões duvidosas da ciência
Em cúpula dos másculos na utopia

A pujança majoritária te submissa
Mas a sapiência prevalece como tirocínio
Emane, no afã de teu coração
Como um arrulho do abissal aos cachopos
Dependentes diretos e autênticos de ti

Imarcescível é a tua jatância ninfa
Universal como lucina, és vitoriosa
Ao cogitares o vindouro sem titubeares.



ESTE CHÃO

Aonde está a originalidade
Da primeira árvore que nasceu?
Os homens construíram cidades
E ela assim, desapareceu

O Chão que pisamos sem maldade
Ali uma existência padeceu
Que só voltará nas saudades
Da carência de teu filho e do meu

O verde vive em extinção
Com o homem em sua razão
Edificando árvores de concreto

Metrópoles, capitalismo, ambição
Progresso, status, poluição
Será que eles estão corretos?!...




MATERIALISMO

Velocidade do mistério
Tiro na escuridão
Enigma do além.
Gritos do silêncio
Choros do anonimato
Pseudônimos feridos.
Devaneios do nicles
Alimento supersticioso;
Sonho da melancolia
Pesadelo da jocosidade;
Pretérito que nasce
Troglodita do presente;
Vindouro que fenece
Primata do sempre.
Canibais mecanizados
Sorrisos metálicos
Mentes computadorizadas
Corações digitais
Sentimentos sintéticos
Paixões espectrométricas
Amor de andróide
Vidas de títeres.
Antiquado sem tabu
Modernismo arcaico
Plenitude do século XX.
Jovens decrépitos
Mentes incontroláveis;
Homens matérias
Aniquilação da natureza.




SELVA METÁLICA

Raízes de aço, de ferro, de pedra
Montanhas e rochedos metálicos
Mil galhos latentes sem folhas
Árvores ocas, cavernas residenciais
Crescem regadas pelo capital
É fértil o objeto e a matéria
Suas flores e seus frutos.
Homens, mulheres Humanos-maquinários
Conscientes e inocentes DENDROCLASTA.
Rios sólidos e cinzentos se cruzam
Às margens, coqueiros e palmeiras em “T”
Interligadas por teias magnéticas
Com enormes aranhas geradoras
Produzindo dos cachos sua luz
Alimentos das noites metaleiras.
Tubarões não nadam, deslizam
Espécies motorizadas uivam
Alimentadas de um líquido precioso
Originado do petróleo e da cana;
Serpentes elétricas rastejam
Guiadas por duas retas paralelas
Desaparecem em cavernas de saídas opostas,
Alimentam-se de formigas em labuta
Sem nunca saciarem suas fomes:
Comem num ponto, vomitam noutro.
Búfalos energizados com chifres nas costas
Se alimentam como as serpentes.
Formigas atômicas, mosquitos férreos
Trabalham em vulcões para sobreviverem;
Lençóis ébanos suspensos nas selvas
Árvores, rochedos, montanhas ofuscas
Produto dos vulcões implantados.
Baleias metálicas sobrevoam velozes
Camufladas nas selvas e nos negros lençóis
Barulhentas, aterrissam nos sólidos rios.
São feras mecânicas que definem frenesi
Talvez, apenas a um DENDRÓLATRA
Como um oásis silvestre em plena “SELVA METÁLICA”.




FALSO PROTESTO

Um ser vivente
Denominaram de homem
E fez-se esse...
Conspirador do futuro
Arrivista da ilusão
Edificador do fictício
No exemplo explícito
Das decepções de suas obras
Sofrida nas sementes
Que desabrocham à vida,
Materializada na inocência
Com máscara de respirar.
O protesto do hoje
No verde que morre
Foi pago e premeditado
Pela própria minoria ativa
(Apóstolos do Dendroclastismo
Que enganam apenas
O futuro de seus filhos - se tiverem.
Insistem fingindo não vê
A existência dessa vida
Que nunca se quer
Causou mal a ninguém.
Cônscios de seus elogios
Emanado do próprio órgão
Em edificarem metrópoles
E desenvolverem a matéria.)
Mundo das capitais
Mundo dos capitais
Avanço progrededor
Progresso predador
Que faz progredir a dor
Nos corações dos homens
Que são Dendrólatras.




RETRATO DA ILUSÃO

Coração humano inseguro
Veemência do anseio mental
Na obsessão do mais, mais e mais...
Inconsciente das conseqüências
Desvirgina o curioso
Na quebra incessante dos tabus
Fazendo do fictício a dor
Das mais puras realidades.

Erudito é o homem na matéria
Autêntico arauto do nicles
Cientista da ilusão;
Transforma a natureza, o amor
Como aperfeiçoa uma máquina;
Edifica o paraíso teórico    
Terra dos homens fantoches;
Láureas das crianças do amanhã
Vítimas dos explícitos mistérios
Geração de minha semente.

Cenas de emoções conspiradas
No jogo imaginário da verdade;
Corações ludibriados, enganados
Nos encantos táticos da propaganda;
Passatempo das vidas caseiras
Na monotonia constante da televisão.

Ligação do nicles a coisa utópica
Vestígios dolosos da realidade
Na fisionomia do retrato ilusório.


COMO FEDE

Te retrato
No alçar cambaleante
Da ave embriagada
Assisto teu semblante
Majestade da grandeza
Como é linda a tua beleza
Miss eldorado
Do mundo metropolitano.

Teu sangue perdeu a cor
Não era escarlate
De incolor passou a negro
Exalando cheiro ruim
Tuas veias estão entupidas
Necessitas de um médico
Talvez, um ecologista
De uma outra dimensão.

Entro em teu coração
Sem está apaixonado
E vejo e sinto
Que estás com marca-passo
Breve a um ataque.

Quero respirar não consigo
Respiro forçado
Exalas um odor horrível
Meus olhos ardem
Sem fogo, sem fumaça
Micróbios se multiplicam
Sem me contaminar
Hippies imundos
Mendigos sujos
Larápios velozes
Homens femininos
Prostitutas estáticas
Que vingam velozmente
Como o vírus da AIDS.

Latrinas, bojos, mictórios
Em calçadas alienígenas
Expostas ao mau cheiro
Urinas e fezes defecadas.

O teu retrato
É como o beijo
De uma mulher que fuma
Ao beijar esse poeta
Que nunca fumou.

Esquece os teus status
Todos são como a moda
Que só faz a estética
Do corpo e de tua fisionomia
Como uma maquilagem
Estragada pelo tempo
Cuida da tua saúde
Que o teu coração
Anda exalando
Um odor indesejável.




PASPRESENDOURO

Lá longe, lá em meu pretérito
Ouvia o cantar dos pássaros
Dos grilos e das cigarras
O latir do cão de Sr. Babá
O relinchar do burro de Sr. Duda
O mugir das vacas no sítio
De minha tia Biía
O cacarejo das galinhas
E o cantar do galo na madrugada
E mais ainda, pela manhã
No terreiro de minha casa
Com a minha logo cedo
Botando milho pra elas;
Os miados dos gatos de D. Maria da Luz
Durante dias e noites.......
..........................................
Hoje escuto um cantar de um pássaro
Que talvez por desespero
Encontrou um recanto, um lugar qualquer
Que nem mesmo sei
Se canta ou se chora
Lamentando-se por ter deixado
O seu convívio com a natureza
Dor ar livre, do ar puro
Ou mesmo do ar sem poluição;
Ao mesmo tempo escuto
O cantar de uma cigarra
Que logo é interrompido
Pelos barulhos dos automóveis
Muitas vezes não se sabe distinguir
Se são os automóveis
Ou se é mesmo a cigarra
Ou ainda se são os nossos tímpanos
Que sempre ficam a zunir naturalmente.
O cantar dos grilos
São idênticos aos das cigarras
Isso nos barulhos dos veículos
Nas ruas movimentadas.
Mesmo que eu escute
O cantar de um bem-te-vi
Todas as manhãs na minha intuição
Ou sobre uma antena de televisão
Ao lado do prédio que moro
Não consigo viver meu pretérito
Mas relembro o cantar de um deles
Na mangueira espada ou rosa
Ou mesmo ainda no pé de pitombeira
Atrás de minha casa
Minha terra natal, NATAL
Vivo naturalmente e sem interrupção
Meus momentos anteriores  de meu sítio
Só quando assim chega a noite;
As estrelas são as mesmas
E continuam no mesmo lugar
Pelo menos elas, eles não conseguiram mudar;
A lua com o seu mesmo encanto
Linda, sempre linda, linda, linda...
Levanto-me durante as noites
Para apreciar e sentir a emoção
Que sempre e sempre vou sentir.
A sua brisa cheia  e singela
Entra em meu quarto e me acorda
Convidando-me para acompanhar
Seus passos lentos e taciturnos
Com destino ao aconchego que é seu....
...............................................................
O que ouvirei  em meu vindouro?
Será que irei ouvir os pássaros?
Livres, libertos e tranquilos?
Ou só ouvirei loucos barulhos dos homens
Sons artificiais, máquinas de ferro
E outras coisas mais?
E onde que estão os meios naturais?.....




S. O. S.  MUNDO

É... nem bem cheguei e aqui sozinha estou
Vendo os homens não mais semearem amor
Desligados do mundo com suas mentes incertas
Destruindo animais, rios, campos, florestas
Com uma demência cega conhecida por ambição
Ferindo a minha vida sem medida do coração.

Ainda sou tão pequena conhecida por inocente
Como viver esse mundo para aprender ser gente?
Compartilhando de tudo que existe de errado?
Graças a Deus que ainda não sei o que é pecado
Sei que aqui represento o sinal de todo futuro
Porque  sou paz, amor e o fruto mais puro.

Chega de alerta, chega de cartaz
Chega de bandeira branca
Que o mundo não entende mais
Vamos erguer uma criança
Para ver se a humanidade
Entende a verdadeira paz
Vamos levá-la ao ápice  da terra
Para que o mundo afogado em guerra
Veja e sinta no azul desse infinito
O desespero de uma criança num grito
Chorando a paz a todo segundo
Pedindo aos homens S. O. S. MUNDO.




O GRITO

Estão vendo aquela área deserta
Bem ali existia uma floresta
Mas um bicho sem sede, sem fome
O tal que chamamos de homem
Com a sua inteligência destruiu
E o grito do silêncio ele não ouviu
Ao extinguir o seu próprio ser
O incrível é que ele ainda não vê
Que as alterações na terra e nos animais
São as extinções dos verdes matagais
Alucinado edifica no pensamento
Idéias erradas como fúria dos ventos
Como pessoa mergulhada na fraqueza
Tudo pela busca de riqueza.
Imagino quando seu tempo estiver acabando
E ele não mais estiver se lembrando
Dos erros que à natureza ofendeu
Erros dos quais sempre se elegeu
A sua consciência e o seu coração
Serão os autores daquela destruição.
Moribundo só vai conseguir entender
Ao ver seu próprio filho fenecer
Pela falta de oxigênio. O Paraíso
Na contrição quase perdendo o juízo
Não mais podendo controlar sua calma
Desesperado, preocupado com sua alma
Se lembra quando acabou com a fauna
E em seu interminável momento de loucura
Ele grita. MEU DEUS! MEU DEUS!!!
Será que os meus têm cura???    


BREVE CURRÍCULO

MAURÍCIO CARDOS GARCIA, potiguar nascido em 19 de junho de 1961. Poeta por  ausência. MENSÃO HONROSA e DESTAQUE em Concurso Nacional de Poesia em 1987; 3º lugar no CONCURSO DE POESIA JL (Jornal da Liberdade, SP), também em 87. Engajado na faculdade dos seres racionais desvenda paulatinamente o porquê de ser poeta.

Reedifico o pretérito
Nas máculas dos esquecimentos
Deixadas pelos dendroclastas
Na forma simples de redigir
No ensejo de minha verve.


MC GARCIA   

domingo, 25 de novembro de 2012

CARTA A UMA POETISA






Natal, 30 de junho de 2012.
Prezada poetisa,
T. L.

Banzoções!

Começo por negar qualquer possibilidade de me afirmar poeta, posto que a minha identidade possa realmente está nas palavras que profiro ou silencio, porque tu és poetisa e sei que não só entendes, mas sentes; haja vista, tu bebes na mesma fonte por teres como ofício o amor pelas palavras. Não há acaso quando todos os caminhos convergem para o mesmo ponto em nome da arte; assim como não há fronteiras quando a literatura serve-se de passaporte para transcender os mais longínquos lugares que só a arte pode indicar. Digo isto T. L., por a vez primeira, que te encontrei não eras tu docente, mas poetisa em meio um monte de jovens, diga-se de passagem, graduandos que se deleitavam das palavras como poetas livres a passarinhar de liberdade e de prazer num universo infindo de vivências, que me fez refletir os tempos idos da década de noventa, quando ainda na Universidade (UFRN), cursando Letras, sonhava por um ensejo como aquele do CON-VERSA com PROSA, na Casa da Ribeira; e, a forma pela qual foi conduzido o sarau poético me levou a fazer uma intervenção repentina, certamente, levado pela sedução do momento; percebi que havias tomado um comportamento digno de poeta nas ações, nas palavras desestruturantes da primeira ideia drummondiana (declamando o teu poema paródia de QUADRILHA); assim como no ato de servir água, ali, para os presentes, certamente numa atitude bem franciscana (cristã, nordestina, maranhense) ou como digo numa máxima que criei: AQUELE QUE QUER SERVIR; É PRECISO VIR A SER; e como tu mesma dizes é preciso que saiamos do pedestal para quebrar o distanciamento entre docente e discente para que este se sinta seguro com a nova realidade acadêmica ou qualquer outra.
Ante todo esse contexto não me atinei por nenhum instante sequer que tu, poetisa T. L., serias a ministrante da disciplina: POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA, da Especialização que estava a fazer, quando certamente na profundidade latente do meu afã, tudo direcionava para essa realidade, e assim foi uma satisfação arrebatadora vê-la quebrando toda a lógica de mestra, docente ou professora, porque para mim e para muitos dos meus colegas, a todo o momento te fizeste poetisa marginal por te fazeres popular (junto a nós) e por ficares à margem da sala tradicional onde tudo começou (H4), ou seja, todos os encontros que tivemos contigo foram em salas diferentes e mais uma vez tu te mostras distinta nos apresentando uma forma poética de viver a vida, posto que literatura é vida, e a vida sem literatura é insossa, porém há quem viva uma vida sem sal, fazer o quê?  Portanto, não me foi nenhuma surpresa porque já te conhecia poeta em Drummond e agora em tantos outros que nos trouxeste à luz dos nossos saberes, mormente, os chamados poetas marginais, malditos, da década de setenta, estes que poeticamente foram beber nas fontes românticas e modernistas tendo suas identidades nas palavras, assim como diz, Oliveira Silveira no poema A PALAVRA NA PRAÇA: “A Palavra passei, toma sol, Lê jornal e engraxa os sapatos. Que sapatos?...” Como também Chacal que diz: “É proibido pisar na grama; o jeito é deitar e rolar”, Mário Quintana, Itamar Assunção, Ana Cristina Cesar, Cacaso, Paulo Leminski, Torquato Neto, Waly Salomão ou como o sociólogo Garcia Canclini que diz: “O popular é excluído”; porém, diante essa mesma exclusão já não existe mais tempo para revoluções, para marginalidade, para radicalismos extremos (costumo dizer que todo radicalismo é suicida, assim como foi a ditadura militar, o comunismo, e as vitórias do Flamengo), pois vivemos os tempos das incertezas, do pessimismo,  do paradoxo, da produção em série, da pirataria, dos descartáveis; o urbano virou rural e este, urbano; os shoppings viraram referência universal, pois está em Natal ou Nova Iorque não mais faz diferença alguma;  no século XX o gênero do texto entra em crise, a contemporaneidade, não define bem o estilo, não se nomeia; o mundo contemporâneo se dá de forma híbrida, sente-se saudade do agora porque tudo passa muito rápido, as coisas são muito mais virtuais do que reais, tem-se problemas imaginários, tais como síndrome do pânico, depressão,  estresse, onde o ter carro, celular, status, dinheiro vale mais do que ser honesto, justo, humilde; quando, ao invés de se Ter amor, sabedoria, humildade, se tem corrupção, insensatez e crueldade, e “assim caminha a humanidade”, e a sociologia não mais comporta a vida porque a Vida se justifica por ela mesma em nome da Literatura, da arte.
Amiga minha T. L., redijo-te estas linhas no intento de te dizer que assim como Platão foi antes poeta para que se fizesse filósofo e Nietzsche filósofo, sendo poeta; tu, assim como ambos, já nasceste poeta, por isso és uma excelente professora que encanta a todos nós com a tua forma desprendida de conduzir as tuas “aulas” num hibridismo (docente\poeta) interativamente gostoso de viver.
Poderia me alongar por demais nesta missiva, por ter sido um estilo de escrita que me levou a ser o que sou hoje, enquanto identidade no logos, quando residi em Sampa por dez anos, onde até então guardo comigo 500 delas (cartas), não como belas lembranças apenas, mas acima de tudo como signo de que a minha mutação é constante por força da palavra. Por isso, encerro esta por aqui lhe parabenizando pelos cinco belíssimos encontros que nos proporcionaste em POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA no curso de Especialização em Literatura Brasileira.

Abraços filopoéticos!