ESTATÍSTICA DIÁRIA

ADMIRADORES DAS IDEIAS

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A FASCINANTE LUCINA



O olho de Deus está
A perscrutar minha alma
Nesta mirífica noite 
Na pureza bela e calma
No sorriso de Lucina.

Tu és a visão noturna
Que iluminas as estrelas
Que divagam como eu
Porque não consigo vê-las
No luzir que é só teu.

Tu tens único olhar de prata
Que o universo ilumina
Pela chama inspiradora
E que logo me fascina
Me fazendo ser poeta.

Oh, minha alma de poeta
Que Lucina alucina
E eleva minha verve
E fascina minha sina
Num êxtase de amor!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

AMIGOS DOS TEMPOS



"Só existe amigo porque há amiga e só existe amiga porque há amigo, por isso, o meu melhor amigo é minha amiga que me tem como amigo."


Há muito busco encontrar um amigo de verdade, e decorrido mais de quarenta anos de vida desvendo que só consegui encontrar amiga. Verdadeiras amigas. Amigo, porém, sempre me deixaram em dívidas suas ações.
Se amigo já era uma coisa rara, agora, é que parece cada vez impossível. Costumo dizer que na vida o máximo que se pode ter é co-léguas e olha lá!
Orgulho-me de ouvir meu pai dizer que teve (não tem mais) muitos amigos que outrora os escolhia para ser padrinho de seus filhos. Muitos compadres meu pai conquistou. Compadres pobres, compadres ricos, compadres vizinhos, compadres amigos. Quão bela época fora essa que mesmo não tendo vivido sinto admiração e até saudades. Pode!?
  Não falo do amigo pai, do amigo irmão, do amigo filho, do amigo próximo. Falo do amigo sem nenhum laço de família. Daquele amigo do acaso que surge faz o bem e de repente desaparece misteriosamente e deixa aquela saudade profunda com uma sensação de que não se consegue discernir se foi sonho ou realidade. Aí, é que é amigo! Não exigi nada em troca.
Acredito no amigo que partiu; no amigo distante que, de quando em vez, se recebe uma carta repleta de surpresa falando da sua saudade e do seu sucesso. Infelizmente, hoje, sequer escreve mais cartas. Hoje, quase tudo se resolve através de um telefonema; escreve-se e-mail; conversa-se pela Internet. Tudo agora é virtual e até mesmo os próprios amigos. Talvez, uma forma concreta para se conquistar um amigo diferentemente daquela outra época.
O amigo próximo é quase sempre um problema ou um solucionador de problema. Afinal, amigo é para isso? Há aquele que passa a vida inteira se lastimando no intento de sensibilizar o amigo para salvar-lhe da desgraça. Há aquele que vive de aparência possuindo o que não pode e quando acha que pode, conta com um grande amigo apenas para dá solução a seus problemas contraídos, geralmente, com irresponsabilidade. Há o amigo desempregado que não se cansa de narrar a sua desgraça como se ele fosse o único a ficar desempregado aos quarenta e cinco anos de idade.
Busco o amigo que diz siga meu exemplo: não contraia dívida apenas pelo afã do ter isso ou aquilo, simplesmente, porque o ditador de regras lhe incutiu na cabeça que possuísse algo além daquilo que não se pode ter, negando-se do que se pode ser com poder. O amigo que diz: ajude o estranho mostrando-lhe o caminho de nunca cair em desgraça. Ensine-o a não contrair dívidas, mostre-lhe viver as coisas reais de que se pode viver sem cartão de créditos, sem cheque especial, sem carro principalmente do ano, sem roupa da moda, sem perfume francês, sem apartamento na zona sul, sem casa na beira da praia, sem ir a shopping center...
O amigo não é o que lhe tira do sufoco, mas o que lhe orienta como sequer entrar nele. O amigo é o que aparece do nada e não pede nada em troca; não é o que está sempre presente sabendo que pode livrá-lo da desgraça é o que age misteriosamente sem que se saiba para não acostumá-lo de estar sempre por perto.
Só existe amigo porque há amiga e só existe amiga porque há amigo, por isso, o meu melhor amigo é minha amiga que me tem como amigo. Acredito que amigo existe apenas nessa condição. Porém não acredito ter amigo, mas que poucos podem dizer que tem amigo, pois minha amizade limita-se às mulheres que revelam geralmente seus segredos para mim e não me pedem nada em troca, ao contrário, me doam até o que já possuo em excesso e me contenho apenas com as suas amizades.



M. C. GARCIA - poeta e filósofo - e-mail: garciamc2001@hotmail.com

sábado, 9 de julho de 2011

POESIA CONCRETA


CÁLICE DAS IDÉIAS
Cálice transbordante de universo
Que nunca se esvazia de si
Por ser mar e cosmos a um só tempo
Em unidade infinitamente azular.

Nesse cálice azul-céu
Nesga de Atlântico Mar
Borbulhante em constantes ondas
Ladeado pela Mata em Morro
Com base feita de Terra
Bebo todas as idéias
Que a mente e os olhos fotografam
E sacio o meu afã de poeta.

POESIA TRANSCENDENTAL

SO E PÓ
Véspera de Rei
E eu longe de ser rei
Fazia-me, mais uma vez, anfitrião
De mim mesmo noutra extensão de mim.
Eu estava, incrivelmente, a me laurear
Porque ninguém mais consegue saber
O que o meu coração tanto deseja.
Mas, afinal, o que o meu coração deseja?
Ele deseja algo pequeno e simples:
Que a criança seja criança
Que o jovem seja jovem
Que adulto, adulto
Que o velho, velho e criança ao mesmo tempo.

E eu, que grasso o caminho da senilidade
Quero dá ênfase a essa sutil transmutação.
Pelo ofício atingi a minha velhice
A qual se confunde com a minha existência;
Pelo ofício fui promovido a ser estar
E permanecer - por opção minha - SÓ;
E pela minha existência estou destinado
A ser estar e permanecer - sem opção - PÓ.
Porque de SO para PÓ é só uma questão de tempo
E é por este que se promove e, também, se morre
Por isso, pó é tá sempre... Só.

domingo, 12 de junho de 2011

O HOMEM FELIZ

Essiib desfaz-se numa longa e gostosa risada e sem entender o arrebatamento extasiante do seu namorado Luzelind se deixa envolver-se pela aquela alegria indescritível de Essiib e sorriem felizes como a eternidade do Amor em Vinnícius.

A infelicidade de Narciso perdura por geração e geração por via normal dos destinos da humanidade através dos indícios narcisistas da adolescência, isto é, em muito menos graus de agressão à vida; assim como, o inexorável destino de Essiib, quando descobriu no limiar da sua adolescência, ao espelho, que a sua fisionomia não seguia o mesmo padrão de estética,  em vigor, regido pela grande maioria dos seus amigos. Eis que Essiib cria no âmago do seu íntimo uma intransponível barreira de traumas e preconceitos de si.
Essiib era brasileiro. E em qualquer lugar do mundo em que chegasse, estava explícito em sua face o retrato de uma raça e, ao mesmo tempo, a denúncia da sua raiz genealógica na miscigenação do seu povo: um pouco de índio, de negro, de branco era Essiib. Uma união de raças de nome Essiib.
Longe da beleza de um Narciso e mais distante ainda da fealdade da Fera, Esssiib era um garoto normal como todos os garotos da sua idade em qualquer lugar do planeta, mas que entrava na sua adolescência preso aos paradigmas de estética; por se preocupar exacerbadamente, com os seus traços facial, onde o que mais o incomodava era o seu lábio inferior o qual se avantajava em espessura e queda ao superior que, em verdade seja dito, em nada se distinguia um do outro. Uma distinção puramente explicada hoje por Freud. Mas que muitos Essiibs passarão despercebidos mesmo. Essiib, ao espelho, viu-se um Narciso às avessas e criou repulsa, como aquela Fera, querendo se excluir de si numa inocência desnarcisista.
Certa vez, Essiib por descuido viu-se ao espelho e olhou-se no espelho dos seus olhos; e os olhos nos olhos, no espelho de si, eliminaram o que era de fealdade existente em si: os lábios grossos, o nariz achatado, os cabelos crespos, a pele morena ora parda em harmonia da perfeição estética se fez no seu mais profundo íntimo. E os olhos nos olhos. O espelho no espelho de si atingiu o infinito da sua beleza interior, mas a ironia desfez o reflexo na primeira esquina do destino e quebrou o espelho, quando Essiib se desentendeu com um colega seu de escola que o xingou de beiçola. Essiib tomado de cólera retribuiu, não exatamente com xingamentos, mas através de socos e ponta-pé investindo-lhes contra o colega indefeso, que sem esperar por repetina reação, fica caído ao chão. Não se sabe como. Essib levara um soco na boca.
 Em casa, Essiib no banheiro ver-se ao espelho e descobre no seu rosto uma mudança radical. Estranho. Achou-se muito mais belo! O soco que levara fez melhorar a sua fisionomia. O seu lábio superior se igualara ao seu lábio inferior. E os lábios nos olhos dos olhos do espelho de si se harmonizaram na estética da beleza vigente pela humanidade e a sua adolescência transcorreu bela e maravilhosamente, quando assim arrumou a sua primeira namorada.
Então crescido, Essiib ao dezoito ainda levava nas entranhas do seu âmago alguns resquícios do fugaz trauma da adolescência, mas nada de relevante que viesse a atrapalhar o seu bom relacionamento com as garotas. Pois bem, foram as suas amizades, acima de tudo femininas, que o fizeram enterrar àquelas preocupações bobas criadas pela adolescência; e Essiib, agora, desfruta dos seus amores sem receio e muito mais seguro de si, porque adquirira com Luzelind, sua namorada, uma intimidade extraordinariamente bela e segura para discorrer das coisas pessoais de forma bastante recíproca. Luzelind que é uma mulher extrovertida e que nunca hesita em fazer questionamento sobre a sua própria pessoa a Essiib, se ele a acha uma mulher atraente, bonita, simpática. Como ele a vê com relação a outras mulheres, se isso, se aquilo até se sentir satisfeita do seu ego. Fazendo, portanto, despertar o monstro que hibernava a tempo dentro de Essiib, para assim, lhe arrebatar o interesse de também querer matar as suas curiosidades adormecidas nas suas intimidades mais latentes e jamais reveladas a ninguém que só agora vem à luz, em nome também, da intimidade à Luzelind.
Titubeante que é, Essiib procrastina por várias vezes a oportunidade de revelar a Luzelind o seu trauma de adolescente. Até que um dia deu-se o desfecho e Essiib foi diretamente à ferida exteriormente cicatrizada porque no íntimo ela passava a existir naquele momento; mesmo ao lado da beleza recíproca de mulher que era Luzelind. Mulher loira, bonita, atraente, extrovertida e sempre feliz como as noites de lua cheia.  Irradiante! Essiib indaga Luzelind sobre o que ela vê de mais disforme em seu rosto. Sincera e direta que é Luzelind responde-lhe que é o nariz. Num repente de luzente prazer Essiib desfaz-se numa longa e gostosa risada e sem entender o arrebatamento extasiante do seu namorado Luzelind se deixa envolver-se pela aquela alegria indescritível de Essiib e sorriem felizes como a eternidade do Amor em Vinnícius.
Essiib se sente um homem muito Feliz. 

21.07.97 MC GARCIA

sábado, 7 de maio de 2011

OS PEQUENOS POETAS


 
Quando pequeno, não o consideram poeta, mas príncipe. Eis a melhor denominação para um pequeno poeta.

            Não. Não faz muito pouco tempo que mãe, a palavra, tem deixado muitos versejadores, trovadores atônitos, preocupados e frustrados por não encontrarem o significado real ou ideal para um signo tão venerado, como é a palavra MÃE para uma rima perfeita.
Mãe é um dos infindos vocábulos que a nossa língua possui, e que até então, desconhecia que pudesse haver um outro signo que viesse formar um homeoteleuto (rima) perfeito, elevando assim,  a satisfação de muitos poetas da língua portuguesa. Encerrando de uma vez por todas com a ideia de que mãe só rima com ela mesma, isto é, sem desmerecer logicamente, o adágio popular de que mãe só existe uma, e disto não temos dúvidas.
            Se os neologistas quisessem, poderiam ter criado há muito tempo um inusitado vocábulo para a palavra Mãe, mas não, os poetas não haveriam de ter tamanha ousadia, sentiam em seu âmago que tudo podiam fazer menos isto. E nenhum quis arriscar? Em criar uma palavra que não perdesse a sua função nem a sua essência etimológica? Tudo parecia impossível. Aliás, era impossível mesmo.
            Será que é mesmo impossível? Realmente, eu também não tenho dúvida que é impossível. Impossível quando já se cresceu demais. E todos os poetas são grandes e crescidos porque já se fizeram homens. As pessoas grandes veem as coisas por um único prisma, o da convenção, e só um príncipe, digo um pequeno príncipe, é capaz de ver (as coisas) por ele mesmo, diferentemente dos poetas grandes. Quando pequeno, não o consideram poeta, mas príncipe. Eis a melhor denominação para um pequeno poeta.
            E só mesmo um pequeno poeta aos dois anos de idade para desvendar o enigma da rima da palavra Mãe, que por anos, séculos até, quem sabe poetas, escritores, etimologistas, filólogos, neologistas tentaram, procuraram e não conseguiram. E só agora, na iminência do século XXI, uma criança, a flor de sua existência infantil, sem a mínima intenção ou preocupação dos ditos intelectuais, ditos grandes, ditos homens, em sua candura, nos dá sabiamente a chave do mistério, assim como um Édipo na sua precocidade nos livra, não das garras da fera, mas das intermináveis frustrações sofridas noites a fio em busca de uma palavra que jamais poderia ser encontrada por uma pessoa grande.
            Os pequerruchos brincavam lá no quintal e, quando já exaustos dos seus afazeres de todos os dias,   entram de casa adentro, pela porta da conzinha, a salvar do infortúnio  da   palavra, todos os poetas do século vindouro:
            - Mãêêê!
            - Paêêê!
            Encontram-se com a genitora:
            - Mainha onde está painha?
            - Painha onde está Mainha?
            Aí, o poeta no computador salva a sua poesia e se sente aliviado. Mas se esquece de que terá que pagar os direitos autorais ao pequeno poeta.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

SÁBIA DESPEDIDA



"Até que a morte os separe, ou, até que as três décadas se consumam."
 

            Pois é, e tudo passou como se fosse um verdadeiro sonho de 3 segundos, trinta dias, ou mesmo de trinta anos. Não, aqui, nada é como se fosse, verdadeiramente, tudo é, foi e existirá mesmo entre sonho, desejo, expectativas, conquistas, decepções, realizações, afirmações e negações; renúncias constantes, opções únicas e exclusivas, prioridade unilateral, onde não se pode questionar o óbvio ululante, por que o que se foi acordado, acordado estar pelo compromisso da existência temporal de trinta longos anos ou mais, enquanto vividos intensamente, porém quão efêmero, quando extrapolado pela constância da não ansiedade e tudo renasce para uma nova existência de dor, de perda, ou, de amor e de ganho.
            Contudo, quem vai determinar essa linha é o próprio tempo dentro do preenchimento das lacunas inexoráveis que irão existir e que deverão ser administradas ou, que já deveriam vir sendo administradas com bastante antecedência, senão, o choque da perda é muito maior do que o impacto do ganho.
            Dependendo do referencial, para uns, a grande maioria, tudo é uma grande perda. É possível, se conviver como se fosse matrimonialmente com um ser e de repente se ver largado, mesmo acordado que esse laço estava determinado a ser desfeito? (até que a morte os separe, ou, até que as três décadas se consumam). Assim é a realidade dos que doam a sua vida em nome do seu ofício, após labutarem trinta, ou mais anos, como funcionário público civil ou militar. Quantos e quantos terminam por preencher a perda, a lacuna com a doença mais clássica do nosso tempo, o tal estresse, ou senão, a melancolia, a depressão, o aperreio e outros males tantos, cada vez mais inusitados, nesse contemporâneo mundo no qual vivemos denominado de nova era.
            O problema é a falta de eco àquilo que antes se fazia com tanto zelo e esmero, onde tudo estava programado para dar certo, igualmente a uma máquina, um trem, sobre os trilhos do sempre programado e estabelecido “destino”, onde as curvas não precisam de esforço nenhum para se atingir o objetivo. E quando se veem a guiar o seu próprio destino diante uma infinidade de tempo disponível para administrá-lo, se tornam incapacitados e vencidos pelo monstro da rejeição! Diga-se de passagem, que tudo não passa de uma rejeição psicológica, porque é justamente nesta hora em que o mundo espera por uma boa e sábia resposta individual ou pessoal, digo ainda, um posicionamento autônomo, uma atitude inusitada e independente, para mudar tudo que há a seu redor, porque agora, tem um trunfo poderoso que é o belo e maravilhoso TEMPO inteiro a seu inteiro dispor.
            Sabe aquela história do passarinho que viveu o tempo todo preso, e quando se abre a porta da gaiola ele continua, ali, “preso”, como se não mais tivesse asas para voar no espaço infindo da liberdade; e aquela outra, do elefante que é preso quando pequeno, por uma corrente e, cresce e fica forte, mas continua com a mesma corrente de quando era pequeno, desconhecendo o poder da sua força hercúlea. Certamente, muitas vezes somos todos passarinhos e elefantes presos em gaiolas e correntes socialmente imaginárias, impostas pelas convenções.  
            O outro referencial ainda muitíssimo raro são os que quebrarão os grilhões e verão as portas da caverna, da caserna, da taberna, literalmente abertas para resgatarem o tempo perdido naquilo em que o ofício ou o mito lhe “cerceou”, (por vezes, um compromisso selado e/ou por juramento até), muitas vezes num átimo de devaneio, em querer ser, enquanto pessoa sonhadora e inacabada de desejos e realizações, algo mais e mais daquilo que todos somos capazes de sermos por nós mesmos, em nome do amor, da simplicidade e da solidariedade naquilo que quisermos ser. Isto é, tudo na hora em que está a se despedir da amada ou do amado, do emprego, da ilusão ou da própria vida de um ente querido nosso.
            de se ter sabedoria para aceitar as despedidas que a própria natureza nos impõe. Mas afinal, quem é que se prepara para a morte de seu ente querido? Que eu saiba, nem eu, nem ninguém!  Mas assim, é que é despedir-se sabiamente.

 M. C. GARCIA é poeta e filósofo