ESTATÍSTICA DIÁRIA

ADMIRADORES DAS IDEIAS

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ENCONTREI-ME E O POEMA




“ CURSO DE EXPRESSÃO TEATRAL PARA ATORES” Eis a frase, a qual me levou a fazer inscrição no referido curso, mesmo sabendo que, o que eu tinha de ator era o que todo homem comum possui como ser social quando pai, quando  profissional, quando ser versátil que tem de se desdobrar para sua sobrevivência. No entanto, tinha dois livros publicados  que, também, não tinha nada a ver com a realidade de ator. No ato da inscrição, preocupava-me com os pré-requisitos, logicamente. Mas, para a minha surpresa: o meu interesse e a minha dedicação exclusiva no decorrer do curso seriam o suficiente para me tornar um aluno recém-ator e, fazer jus ao certificado, juntamente a um grupo seleto de atores que já atuavam no ramo a uma gama de tempo, tais como, Makario, Ana, Genildo, Geraldo, Ricardo, Jorge, Letícia e outros que a minha memória irá guarda na mais latente taciturnidade do meu âmago.
6 de agosto, primeiro dia. Dava-se a abertura do curso e para a minha feliz surpresa, assisto a uma representação de um poema de Oscar Wilde, em que o ator Genildo Mateus através de monólogo me fez vibrar de emoção. Um poema em prosa que trata do narcisismo de uma forma infinita. Em que Narciso, a lenda, em admirar a sua beleza às margens de um lago se apaixona por si mesmo e termina morrendo por um amor inacessível, e o lago, ao ser interpelado pelas Ninfas que sempre vinham contemplá-lo, quando o ver  chorar desesperadamente, ele responde que chora, por Narciso ter sumido e não mais ter o espelho dos seus olhos para admirar  a sua própria beleza. Um poema-prosa magnificamente fantástico.
A emoção que o poema transmitia-me não estava exatamente naquela concepção cênica criada pelo ator, mas acima de tudo, na coincidência de ter encontrado o poema e a justificativa do mesmo, naquele curso que acabava de entrar. Dentro de meu âmago havia um  cálido silêncio que desejava desenfreadamente por aquele mirífico ensejo, que agora eu me deleitava infinitamente de prazer.
No final do curso, 19 de setembro,  encontrei-me com “O DISCÍPULO” e me fiz também um Narciso por elogiar-me a mim mesmo em chegar aonde jamais imaginava chegar, a ponto de ver superar ATRIZ... TEZA e ATOR... TURA do árduo ofício de se fazer Teatro. 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A FASCINANTE LUCINA



O olho de Deus está
A perscrutar minha alma
Nesta mirífica noite 
Na pureza bela e calma
No sorriso de Lucina.

Tu és a visão noturna
Que iluminas as estrelas
Que divagam como eu
Porque não consigo vê-las
No luzir que é só teu.

Tu tens único olhar de prata
Que o universo ilumina
Pela chama inspiradora
E que logo me fascina
Me fazendo ser poeta.

Oh, minha alma de poeta
Que Lucina alucina
E eleva minha verve
E fascina minha sina
Num êxtase de amor!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

AMIGOS DOS TEMPOS



"Só existe amigo porque há amiga e só existe amiga porque há amigo, por isso, o meu melhor amigo é minha amiga que me tem como amigo."


Há muito busco encontrar um amigo de verdade, e decorrido mais de quarenta anos de vida desvendo que só consegui encontrar amiga. Verdadeiras amigas. Amigo, porém, sempre me deixaram em dívidas suas ações.
Se amigo já era uma coisa rara, agora, é que parece cada vez impossível. Costumo dizer que na vida o máximo que se pode ter é co-léguas e olha lá!
Orgulho-me de ouvir meu pai dizer que teve (não tem mais) muitos amigos que outrora os escolhia para ser padrinho de seus filhos. Muitos compadres meu pai conquistou. Compadres pobres, compadres ricos, compadres vizinhos, compadres amigos. Quão bela época fora essa que mesmo não tendo vivido sinto admiração e até saudades. Pode!?
  Não falo do amigo pai, do amigo irmão, do amigo filho, do amigo próximo. Falo do amigo sem nenhum laço de família. Daquele amigo do acaso que surge faz o bem e de repente desaparece misteriosamente e deixa aquela saudade profunda com uma sensação de que não se consegue discernir se foi sonho ou realidade. Aí, é que é amigo! Não exigi nada em troca.
Acredito no amigo que partiu; no amigo distante que, de quando em vez, se recebe uma carta repleta de surpresa falando da sua saudade e do seu sucesso. Infelizmente, hoje, sequer escreve mais cartas. Hoje, quase tudo se resolve através de um telefonema; escreve-se e-mail; conversa-se pela Internet. Tudo agora é virtual e até mesmo os próprios amigos. Talvez, uma forma concreta para se conquistar um amigo diferentemente daquela outra época.
O amigo próximo é quase sempre um problema ou um solucionador de problema. Afinal, amigo é para isso? Há aquele que passa a vida inteira se lastimando no intento de sensibilizar o amigo para salvar-lhe da desgraça. Há aquele que vive de aparência possuindo o que não pode e quando acha que pode, conta com um grande amigo apenas para dá solução a seus problemas contraídos, geralmente, com irresponsabilidade. Há o amigo desempregado que não se cansa de narrar a sua desgraça como se ele fosse o único a ficar desempregado aos quarenta e cinco anos de idade.
Busco o amigo que diz siga meu exemplo: não contraia dívida apenas pelo afã do ter isso ou aquilo, simplesmente, porque o ditador de regras lhe incutiu na cabeça que possuísse algo além daquilo que não se pode ter, negando-se do que se pode ser com poder. O amigo que diz: ajude o estranho mostrando-lhe o caminho de nunca cair em desgraça. Ensine-o a não contrair dívidas, mostre-lhe viver as coisas reais de que se pode viver sem cartão de créditos, sem cheque especial, sem carro principalmente do ano, sem roupa da moda, sem perfume francês, sem apartamento na zona sul, sem casa na beira da praia, sem ir a shopping center...
O amigo não é o que lhe tira do sufoco, mas o que lhe orienta como sequer entrar nele. O amigo é o que aparece do nada e não pede nada em troca; não é o que está sempre presente sabendo que pode livrá-lo da desgraça é o que age misteriosamente sem que se saiba para não acostumá-lo de estar sempre por perto.
Só existe amigo porque há amiga e só existe amiga porque há amigo, por isso, o meu melhor amigo é minha amiga que me tem como amigo. Acredito que amigo existe apenas nessa condição. Porém não acredito ter amigo, mas que poucos podem dizer que tem amigo, pois minha amizade limita-se às mulheres que revelam geralmente seus segredos para mim e não me pedem nada em troca, ao contrário, me doam até o que já possuo em excesso e me contenho apenas com as suas amizades.



M. C. GARCIA - poeta e filósofo - e-mail: garciamc2001@hotmail.com

sábado, 9 de julho de 2011

POESIA CONCRETA


CÁLICE DAS IDÉIAS
Cálice transbordante de universo
Que nunca se esvazia de si
Por ser mar e cosmos a um só tempo
Em unidade infinitamente azular.

Nesse cálice azul-céu
Nesga de Atlântico Mar
Borbulhante em constantes ondas
Ladeado pela Mata em Morro
Com base feita de Terra
Bebo todas as idéias
Que a mente e os olhos fotografam
E sacio o meu afã de poeta.

POESIA TRANSCENDENTAL

SO E PÓ
Véspera de Rei
E eu longe de ser rei
Fazia-me, mais uma vez, anfitrião
De mim mesmo noutra extensão de mim.
Eu estava, incrivelmente, a me laurear
Porque ninguém mais consegue saber
O que o meu coração tanto deseja.
Mas, afinal, o que o meu coração deseja?
Ele deseja algo pequeno e simples:
Que a criança seja criança
Que o jovem seja jovem
Que adulto, adulto
Que o velho, velho e criança ao mesmo tempo.

E eu, que grasso o caminho da senilidade
Quero dá ênfase a essa sutil transmutação.
Pelo ofício atingi a minha velhice
A qual se confunde com a minha existência;
Pelo ofício fui promovido a ser estar
E permanecer - por opção minha - SÓ;
E pela minha existência estou destinado
A ser estar e permanecer - sem opção - PÓ.
Porque de SO para PÓ é só uma questão de tempo
E é por este que se promove e, também, se morre
Por isso, pó é tá sempre... Só.

domingo, 12 de junho de 2011

O HOMEM FELIZ

Essiib desfaz-se numa longa e gostosa risada e sem entender o arrebatamento extasiante do seu namorado Luzelind se deixa envolver-se pela aquela alegria indescritível de Essiib e sorriem felizes como a eternidade do Amor em Vinnícius.

A infelicidade de Narciso perdura por geração e geração por via normal dos destinos da humanidade através dos indícios narcisistas da adolescência, isto é, em muito menos graus de agressão à vida; assim como, o inexorável destino de Essiib, quando descobriu no limiar da sua adolescência, ao espelho, que a sua fisionomia não seguia o mesmo padrão de estética,  em vigor, regido pela grande maioria dos seus amigos. Eis que Essiib cria no âmago do seu íntimo uma intransponível barreira de traumas e preconceitos de si.
Essiib era brasileiro. E em qualquer lugar do mundo em que chegasse, estava explícito em sua face o retrato de uma raça e, ao mesmo tempo, a denúncia da sua raiz genealógica na miscigenação do seu povo: um pouco de índio, de negro, de branco era Essiib. Uma união de raças de nome Essiib.
Longe da beleza de um Narciso e mais distante ainda da fealdade da Fera, Esssiib era um garoto normal como todos os garotos da sua idade em qualquer lugar do planeta, mas que entrava na sua adolescência preso aos paradigmas de estética; por se preocupar exacerbadamente, com os seus traços facial, onde o que mais o incomodava era o seu lábio inferior o qual se avantajava em espessura e queda ao superior que, em verdade seja dito, em nada se distinguia um do outro. Uma distinção puramente explicada hoje por Freud. Mas que muitos Essiibs passarão despercebidos mesmo. Essiib, ao espelho, viu-se um Narciso às avessas e criou repulsa, como aquela Fera, querendo se excluir de si numa inocência desnarcisista.
Certa vez, Essiib por descuido viu-se ao espelho e olhou-se no espelho dos seus olhos; e os olhos nos olhos, no espelho de si, eliminaram o que era de fealdade existente em si: os lábios grossos, o nariz achatado, os cabelos crespos, a pele morena ora parda em harmonia da perfeição estética se fez no seu mais profundo íntimo. E os olhos nos olhos. O espelho no espelho de si atingiu o infinito da sua beleza interior, mas a ironia desfez o reflexo na primeira esquina do destino e quebrou o espelho, quando Essiib se desentendeu com um colega seu de escola que o xingou de beiçola. Essiib tomado de cólera retribuiu, não exatamente com xingamentos, mas através de socos e ponta-pé investindo-lhes contra o colega indefeso, que sem esperar por repetina reação, fica caído ao chão. Não se sabe como. Essib levara um soco na boca.
 Em casa, Essiib no banheiro ver-se ao espelho e descobre no seu rosto uma mudança radical. Estranho. Achou-se muito mais belo! O soco que levara fez melhorar a sua fisionomia. O seu lábio superior se igualara ao seu lábio inferior. E os lábios nos olhos dos olhos do espelho de si se harmonizaram na estética da beleza vigente pela humanidade e a sua adolescência transcorreu bela e maravilhosamente, quando assim arrumou a sua primeira namorada.
Então crescido, Essiib ao dezoito ainda levava nas entranhas do seu âmago alguns resquícios do fugaz trauma da adolescência, mas nada de relevante que viesse a atrapalhar o seu bom relacionamento com as garotas. Pois bem, foram as suas amizades, acima de tudo femininas, que o fizeram enterrar àquelas preocupações bobas criadas pela adolescência; e Essiib, agora, desfruta dos seus amores sem receio e muito mais seguro de si, porque adquirira com Luzelind, sua namorada, uma intimidade extraordinariamente bela e segura para discorrer das coisas pessoais de forma bastante recíproca. Luzelind que é uma mulher extrovertida e que nunca hesita em fazer questionamento sobre a sua própria pessoa a Essiib, se ele a acha uma mulher atraente, bonita, simpática. Como ele a vê com relação a outras mulheres, se isso, se aquilo até se sentir satisfeita do seu ego. Fazendo, portanto, despertar o monstro que hibernava a tempo dentro de Essiib, para assim, lhe arrebatar o interesse de também querer matar as suas curiosidades adormecidas nas suas intimidades mais latentes e jamais reveladas a ninguém que só agora vem à luz, em nome também, da intimidade à Luzelind.
Titubeante que é, Essiib procrastina por várias vezes a oportunidade de revelar a Luzelind o seu trauma de adolescente. Até que um dia deu-se o desfecho e Essiib foi diretamente à ferida exteriormente cicatrizada porque no íntimo ela passava a existir naquele momento; mesmo ao lado da beleza recíproca de mulher que era Luzelind. Mulher loira, bonita, atraente, extrovertida e sempre feliz como as noites de lua cheia.  Irradiante! Essiib indaga Luzelind sobre o que ela vê de mais disforme em seu rosto. Sincera e direta que é Luzelind responde-lhe que é o nariz. Num repente de luzente prazer Essiib desfaz-se numa longa e gostosa risada e sem entender o arrebatamento extasiante do seu namorado Luzelind se deixa envolver-se pela aquela alegria indescritível de Essiib e sorriem felizes como a eternidade do Amor em Vinnícius.
Essiib se sente um homem muito Feliz. 

21.07.97 MC GARCIA

sábado, 7 de maio de 2011

OS PEQUENOS POETAS


 
Quando pequeno, não o consideram poeta, mas príncipe. Eis a melhor denominação para um pequeno poeta.

            Não. Não faz muito pouco tempo que mãe, a palavra, tem deixado muitos versejadores, trovadores atônitos, preocupados e frustrados por não encontrarem o significado real ou ideal para um signo tão venerado, como é a palavra MÃE para uma rima perfeita.
Mãe é um dos infindos vocábulos que a nossa língua possui, e que até então, desconhecia que pudesse haver um outro signo que viesse formar um homeoteleuto (rima) perfeito, elevando assim,  a satisfação de muitos poetas da língua portuguesa. Encerrando de uma vez por todas com a ideia de que mãe só rima com ela mesma, isto é, sem desmerecer logicamente, o adágio popular de que mãe só existe uma, e disto não temos dúvidas.
            Se os neologistas quisessem, poderiam ter criado há muito tempo um inusitado vocábulo para a palavra Mãe, mas não, os poetas não haveriam de ter tamanha ousadia, sentiam em seu âmago que tudo podiam fazer menos isto. E nenhum quis arriscar? Em criar uma palavra que não perdesse a sua função nem a sua essência etimológica? Tudo parecia impossível. Aliás, era impossível mesmo.
            Será que é mesmo impossível? Realmente, eu também não tenho dúvida que é impossível. Impossível quando já se cresceu demais. E todos os poetas são grandes e crescidos porque já se fizeram homens. As pessoas grandes veem as coisas por um único prisma, o da convenção, e só um príncipe, digo um pequeno príncipe, é capaz de ver (as coisas) por ele mesmo, diferentemente dos poetas grandes. Quando pequeno, não o consideram poeta, mas príncipe. Eis a melhor denominação para um pequeno poeta.
            E só mesmo um pequeno poeta aos dois anos de idade para desvendar o enigma da rima da palavra Mãe, que por anos, séculos até, quem sabe poetas, escritores, etimologistas, filólogos, neologistas tentaram, procuraram e não conseguiram. E só agora, na iminência do século XXI, uma criança, a flor de sua existência infantil, sem a mínima intenção ou preocupação dos ditos intelectuais, ditos grandes, ditos homens, em sua candura, nos dá sabiamente a chave do mistério, assim como um Édipo na sua precocidade nos livra, não das garras da fera, mas das intermináveis frustrações sofridas noites a fio em busca de uma palavra que jamais poderia ser encontrada por uma pessoa grande.
            Os pequerruchos brincavam lá no quintal e, quando já exaustos dos seus afazeres de todos os dias,   entram de casa adentro, pela porta da conzinha, a salvar do infortúnio  da   palavra, todos os poetas do século vindouro:
            - Mãêêê!
            - Paêêê!
            Encontram-se com a genitora:
            - Mainha onde está painha?
            - Painha onde está Mainha?
            Aí, o poeta no computador salva a sua poesia e se sente aliviado. Mas se esquece de que terá que pagar os direitos autorais ao pequeno poeta.