ESTATÍSTICA DIÁRIA

ADMIRADORES DAS IDEIAS

sábado, 7 de maio de 2011

OS PEQUENOS POETAS


 
Quando pequeno, não o consideram poeta, mas príncipe. Eis a melhor denominação para um pequeno poeta.

            Não. Não faz muito pouco tempo que mãe, a palavra, tem deixado muitos versejadores, trovadores atônitos, preocupados e frustrados por não encontrarem o significado real ou ideal para um signo tão venerado, como é a palavra MÃE para uma rima perfeita.
Mãe é um dos infindos vocábulos que a nossa língua possui, e que até então, desconhecia que pudesse haver um outro signo que viesse formar um homeoteleuto (rima) perfeito, elevando assim,  a satisfação de muitos poetas da língua portuguesa. Encerrando de uma vez por todas com a ideia de que mãe só rima com ela mesma, isto é, sem desmerecer logicamente, o adágio popular de que mãe só existe uma, e disto não temos dúvidas.
            Se os neologistas quisessem, poderiam ter criado há muito tempo um inusitado vocábulo para a palavra Mãe, mas não, os poetas não haveriam de ter tamanha ousadia, sentiam em seu âmago que tudo podiam fazer menos isto. E nenhum quis arriscar? Em criar uma palavra que não perdesse a sua função nem a sua essência etimológica? Tudo parecia impossível. Aliás, era impossível mesmo.
            Será que é mesmo impossível? Realmente, eu também não tenho dúvida que é impossível. Impossível quando já se cresceu demais. E todos os poetas são grandes e crescidos porque já se fizeram homens. As pessoas grandes veem as coisas por um único prisma, o da convenção, e só um príncipe, digo um pequeno príncipe, é capaz de ver (as coisas) por ele mesmo, diferentemente dos poetas grandes. Quando pequeno, não o consideram poeta, mas príncipe. Eis a melhor denominação para um pequeno poeta.
            E só mesmo um pequeno poeta aos dois anos de idade para desvendar o enigma da rima da palavra Mãe, que por anos, séculos até, quem sabe poetas, escritores, etimologistas, filólogos, neologistas tentaram, procuraram e não conseguiram. E só agora, na iminência do século XXI, uma criança, a flor de sua existência infantil, sem a mínima intenção ou preocupação dos ditos intelectuais, ditos grandes, ditos homens, em sua candura, nos dá sabiamente a chave do mistério, assim como um Édipo na sua precocidade nos livra, não das garras da fera, mas das intermináveis frustrações sofridas noites a fio em busca de uma palavra que jamais poderia ser encontrada por uma pessoa grande.
            Os pequerruchos brincavam lá no quintal e, quando já exaustos dos seus afazeres de todos os dias,   entram de casa adentro, pela porta da conzinha, a salvar do infortúnio  da   palavra, todos os poetas do século vindouro:
            - Mãêêê!
            - Paêêê!
            Encontram-se com a genitora:
            - Mainha onde está painha?
            - Painha onde está Mainha?
            Aí, o poeta no computador salva a sua poesia e se sente aliviado. Mas se esquece de que terá que pagar os direitos autorais ao pequeno poeta.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

SÁBIA DESPEDIDA



"Até que a morte os separe, ou, até que as três décadas se consumam."
 

            Pois é, e tudo passou como se fosse um verdadeiro sonho de 3 segundos, trinta dias, ou mesmo de trinta anos. Não, aqui, nada é como se fosse, verdadeiramente, tudo é, foi e existirá mesmo entre sonho, desejo, expectativas, conquistas, decepções, realizações, afirmações e negações; renúncias constantes, opções únicas e exclusivas, prioridade unilateral, onde não se pode questionar o óbvio ululante, por que o que se foi acordado, acordado estar pelo compromisso da existência temporal de trinta longos anos ou mais, enquanto vividos intensamente, porém quão efêmero, quando extrapolado pela constância da não ansiedade e tudo renasce para uma nova existência de dor, de perda, ou, de amor e de ganho.
            Contudo, quem vai determinar essa linha é o próprio tempo dentro do preenchimento das lacunas inexoráveis que irão existir e que deverão ser administradas ou, que já deveriam vir sendo administradas com bastante antecedência, senão, o choque da perda é muito maior do que o impacto do ganho.
            Dependendo do referencial, para uns, a grande maioria, tudo é uma grande perda. É possível, se conviver como se fosse matrimonialmente com um ser e de repente se ver largado, mesmo acordado que esse laço estava determinado a ser desfeito? (até que a morte os separe, ou, até que as três décadas se consumam). Assim é a realidade dos que doam a sua vida em nome do seu ofício, após labutarem trinta, ou mais anos, como funcionário público civil ou militar. Quantos e quantos terminam por preencher a perda, a lacuna com a doença mais clássica do nosso tempo, o tal estresse, ou senão, a melancolia, a depressão, o aperreio e outros males tantos, cada vez mais inusitados, nesse contemporâneo mundo no qual vivemos denominado de nova era.
            O problema é a falta de eco àquilo que antes se fazia com tanto zelo e esmero, onde tudo estava programado para dar certo, igualmente a uma máquina, um trem, sobre os trilhos do sempre programado e estabelecido “destino”, onde as curvas não precisam de esforço nenhum para se atingir o objetivo. E quando se veem a guiar o seu próprio destino diante uma infinidade de tempo disponível para administrá-lo, se tornam incapacitados e vencidos pelo monstro da rejeição! Diga-se de passagem, que tudo não passa de uma rejeição psicológica, porque é justamente nesta hora em que o mundo espera por uma boa e sábia resposta individual ou pessoal, digo ainda, um posicionamento autônomo, uma atitude inusitada e independente, para mudar tudo que há a seu redor, porque agora, tem um trunfo poderoso que é o belo e maravilhoso TEMPO inteiro a seu inteiro dispor.
            Sabe aquela história do passarinho que viveu o tempo todo preso, e quando se abre a porta da gaiola ele continua, ali, “preso”, como se não mais tivesse asas para voar no espaço infindo da liberdade; e aquela outra, do elefante que é preso quando pequeno, por uma corrente e, cresce e fica forte, mas continua com a mesma corrente de quando era pequeno, desconhecendo o poder da sua força hercúlea. Certamente, muitas vezes somos todos passarinhos e elefantes presos em gaiolas e correntes socialmente imaginárias, impostas pelas convenções.  
            O outro referencial ainda muitíssimo raro são os que quebrarão os grilhões e verão as portas da caverna, da caserna, da taberna, literalmente abertas para resgatarem o tempo perdido naquilo em que o ofício ou o mito lhe “cerceou”, (por vezes, um compromisso selado e/ou por juramento até), muitas vezes num átimo de devaneio, em querer ser, enquanto pessoa sonhadora e inacabada de desejos e realizações, algo mais e mais daquilo que todos somos capazes de sermos por nós mesmos, em nome do amor, da simplicidade e da solidariedade naquilo que quisermos ser. Isto é, tudo na hora em que está a se despedir da amada ou do amado, do emprego, da ilusão ou da própria vida de um ente querido nosso.
            de se ter sabedoria para aceitar as despedidas que a própria natureza nos impõe. Mas afinal, quem é que se prepara para a morte de seu ente querido? Que eu saiba, nem eu, nem ninguém!  Mas assim, é que é despedir-se sabiamente.

 M. C. GARCIA é poeta e filósofo

sexta-feira, 4 de março de 2011

MENSAGEM ÀS MULHERES

  “Mulher, tu és a origem de ti e até de mim. Por isso, és o princípio sem fim do amor, no amor e pelo amor.”

 

Há coisas pequenas na vida que são de um valor incomensurável e de suma importância para as pessoas. Às vezes, até a necessidade de extrapolar o óbvio mesmo diante de tanta obviedade existente é o suficiente para se conquistar esse valor quão desmedido. 

Reflitamos, pois, sobre o Dia Internacional da Mulher, 08 de março. Data em que as mulheres no mundo inteiro são lembradas. Diga-se, apenas, lembradas. Porém, sabe-se que ainda há muitas, muitas e muitas mulheres que apesar de serem lembradas não se lembram, não sabem, não entendem o sentido e a importância dessa data, posto que, tudo parece quão midiático e propagandístico e menos prático e ágil enquanto realidade pura existente.

Porém, nada disso impede do que vou discorrer aqui. Porque importa saber que o Dia Internacional da Mulher existe e é propagado pelo mundo todo, mas não para todo mundo. Diga-se, para toda mulher.
Ciente, dessa data, emito pelo celular a seguinte mensagem: “Mulher, tu és a origem de ti e até de mim. Por isso, és o princípio sem fim do amor, no amor e pelo amor”. Isto é, para vinte e cinco mulheres, inclusive, à mãe dos nossos filhos. Todas elas, sem exceção, se sentiram arrebatadas, a priori pela surpresa do teor da mensagem que a coloca como superiora a tudo e todos só pelo ato sagrado de conceber a vida e de amar, mas que, por nenhum momento, não se vangloria disso, por isso mesmo é que reina então o seu poder em sapiência  e taciturnidade de mulher.
Desta feita, outras, extasiadas de prazer e de satisfação pela exclusividade de se verem elogiadas, por um ser não menos homem, porém mais poeta, por dotar-se de sentimento às coisas sensíveis da mulher e perceber, como homem, e da sua des-importância no reino e no poder de conceber a vida. Digo, elas, ante a mensagem óbvia, mas dita, com poder de sentimento poético, elas deixam fluir o sentimento-mais-que-sentimento de mulher, mãe, concebedora da vida através de mensagens várias mais ainda arrebatadoras: “Nossa, um anjo em forma de mensagem!” “Obrigada, por me colocar nesse universo tão fascinante da poesia” “Obrigada pela mensagem!” “Obrigada pela poesia. É linda! Desculpe pela demora. Foi a correria do dia-a-dia que me fez esquecer!” “A cada dia agradeço a Deus pelo amigo que tenho. Você mora no meu coração e me faz muito bem!”. Sem falar daquelas que me ligaram a me encherem de palavras bonitas e agradáveis a qualquer ego humano fascinadas pela mensagem. Quanto à mãe dos nossos filhos, esta me agradeceu em ato de mulher mais-que-mulher por me dar o privilégio de perceber a origem da minha vida através dela e em dois filhos saído do seu ser carnal.  
Certo de que fazia o meu papel de poeta solidário ao Dia Internacional da Mulher ao enviar a mesma mensagem para todas as mulheres da minha agenda telefônica, não sabia o poder de exclusividade que cada uma teria ao obter a mensagem. Foi quando obtive de uma delas a cobrança para que eu a enviasse para si também a mesma mensagem; e de uma outra, a carga de ciúme por não admitir que a sua amiga - e também minha -, obtivesse a mesma mensagem.
E para aquelas que não dispunham de aparelho celular para que eu a enviasse essa mesma mensagem, li, em plena sala de aula e falei por telefone para várias delas; e a muitas outras mulheres que muito devo e muito tenho de agradecer muito mais pela minha existência de ser. Destaco aqui aquela que me tirou das suas entranhas e me fez antes de tudo existência humana repleta de virtudes e de falhas; assim como as que estão na minha lista telefônica, quanto as que não estão e sequer as conheço, mas que certamente irão dá origens há tantos outros homens fracos, recalcados, crápulas, machistas e tirânicos – promotores da guerra demasiadamente psicológica - nesse dia e em todos os dias da sua vida, independente do internacional dia da mulher.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

REFLEXÕES EM DÉCIMAS POÉTICAS


Vos peço Senhor que me guie agora
Nas palavras que saem da minha boca
Que fale o silêncio, não minha voz rouca
E que a vós o teu perdão implora
Desde hoje e sempre como em outrora
Neste meu sentimento quão sofrido
Desses erros que tenho cometido
Onde quem mais sofre é o meu coração
Venho aqui a vós pedir-lhe perdão
Por isso, a vós, suplico arrependido!

Busco cumprir por este mandamento
Que é todo em decassílabo feito
Onde procuro agora ser perfeito
Pra ajeitar meu direcionamento
Quando chegar a verve no momento
Vou seguindo a metrificada trilha
Porque sinto que meu ser todo brilha
Querendo criar a minha canção
Que pode servir até de oração
Posto que sou poeta, jamais ilha.

Não consigo cumprir Teus Mandamentos
E passo em decassílabo a escrever
Ando a duvidar até do meu crer
E assim tenho vivido alguns tormentos
Eu vos peço, meu Senhor, os teus alentos
Pois desacredito na lei humana
Posto que, ela, a todos nos engana
Criada em detrimento só de alguns
Ficam de fora as pessoas comuns
E o poderoso pousa de bacana.

Eis, em decassílabo, o meu poema
Pra ver se encontro algum discernimento
Em nome de meu fértil sentimento
Afirmando de vez o meu dilema
Que vós, Senhor, meu Deus, és o meu tema
Por só acreditar em Ti demais
Indo contra mim, menos meus rivais
Porque vós sabeis todos meus caminhos
Em que vaguei semeando os espinhos
Assemelhando-me aos marginais.

Não matei, não roubei, mas desejei...
Coisas boas e nocivas pra mim
Sem receio de nada do meu fim
Tenho consciência de que pequei
Estou na dúvida do Sei e Não sei.
Vejo que tenho toda liberdade
Porém, nem toda beleza é beldade
Para ser, sentir, pensar e agir
Andei caminho que eu quis seguir
E me vi cercado pela maldade.

E confesso Senhor que meu pecado
Parte da minha própria consciência
Pois sei que vós tereis de mim clemência
Do bem que faço mesmo sendo errado
Assim erro, achando que foi curado
Pois em Ti, vivo perdido na fé
Quão ciente de quem sabe o quer
E saio em busca doutra solução
Às vezes, caindo na perdição!
Pois, perdidos andam homem e mulher.

Se dos homens consigo me ocultar
E aos teus olhos, vivo grande engano
Vós sabeis até do meu próprio plano
Assim vou seguindo sem hesitar
Sem medo de que terei que pagar
Senhor Meu, se eu fiz algum juramento
Foi pelo quão infindo desalento
Me perdoe o vacilo da memória
Porque sou poeta e vivo de estória
Vos peço, atenuai, o meu lamento!

Como poeta, sou representante
Da dorida alma do meu irmão
A minha poesia se faz canção
E cuida da alma dilacerante
Onde sua dor tirânica é imperante.
Neste grande palco que é a vida
Poeta doa-se como guarida
E assim, se torna um grande fingidor
Finge completamente como ator
Para curar de todos, a ferida.

Os que por ti juraram, questiono,
Que vivem a tua palavra pregando
E cinicamente vivem negando
Parecem viver num eterno sono
Hipocritamente, por desconhecer o dono
De tudo que é existente na terra
A fazerem, por fim, a própria guerra
Não dão sequer a menor importância
E todos vivem em completa arrogância
Onde o não-cristão é quem menos erra?

Do pó viemos, ao pó retornaremos
E o pó é tá sempre poetando
Pois, encaram a sua morte cantando
Talvez, a razão naquilo que cremos
E por sermos humanos - medo temos
Omitindo na arte sem temor,
Perscrutar das essências o seu odor
Moldamos a palavra com beleza
Pois é própria da nossa natureza
Semear à humanidade o amor!

Nós somos verdadeiros menestréis
Ou mesmo, dizendo, somos poetas
Favor, não nos confundir com profetas
Pois estes assumem outros papéis
Diante Deus e homem são fiéis.
Porém, muitos entram em contradição
Por isso, Deus conhece o coração
De quem vive o profano, não o sagrado
Semeando o perdão, mas no pecado
De todos que cometem traição.

Me deste saber das coisas do mundo
E desvendei que tudo era ilusão
Onde o real era só ficção
E me vi cada vez meditabundo
Aí, caí, num baixo astral profundo
E não mais acreditei em ninguém
Mas, temos que acreditar em alguém
Maldito, quem acredita no homem!
De repente, lembrei de vosso nome:
E eis o meu pai, minha mãe, amém!

E não é fácil encontrar um amigo
Quando pra tudo o que vale é dinheiro
Quase sempre aparece o interesseiro
Quão irônico, logo oferece abrigo
Verdadeiro joio e não puro trigo.
Mas, nos encontros das afinidades
Deslocados de qualquer falsidades
Temos amigos no campo da arte
Todos da terra e não vindo de Marte
Com as suas peculiaridades.

De tudo que por aqui já passei
Duma coisa tenho pura certeza
Porque vivi conforme a natureza
A qual nos fez nosso Bondoso Rei
Onde nem tudo que fiz, acertei
Então, procurarei não mais errar
Pois assim, com meu Deus, tudo acertar
Pedirei a Ele sabedoria
Para florir mais e mais o meu dia
Para em meu peito brotar o amar.

As palavras, Deus, quero agradecer
Que fluiriam quão bem na minha mente
Sábia árvore, genuína semente
Fostes Vós que fizestes florescer
E assim, fazeis quão belo o meu viver.
Sei que toda inspiração é Divina
Razão, pela qual, meu ser se atina
Pois brota do universo e do além
De Deus criador, seu filho também
Que traçam na terra o caminho e a sina

Eis que a minha inspiração desse intento
Trata-se, pois, de um grande desafio
Em que venho tecendo fio a fio
As coisas que estão no meu pensamento
Bem vindas direto do firmamento
Do Pai Eterno que tudo criou
Pois tudo vem do Divino Senhor!
Inclusive, eu, errante poeta,
Um plagiador da vida, um esteta
Que nem, agora, o poema gerou.

23/12/2008
MC GARCIA

sábado, 26 de fevereiro de 2011

MEUS HAI KAIS A UMA FLOR


Uma flor mui bela
Floresceu no meu jardim...
Quão breve quer ir.


Um anjo de flor
Semeou a sua essência
E eu revivi...


Uma borboleta
Entrou dentro do meu quarto...
Coração na asa...


Havia um jardim
Com uma flor desfalecida...
Mas, nunca morreu!


Há entre as flores
Um passarinho que canta...
Seu silêncio amor...


Um coração-rosa
Canta lindo seu amor
No jardim de casa.


Flor de Bugari
Pura essência pra mulher
No jardim da vida.


A flor de jasmim
Enche a terra de perfume...
Ó, saudosa infância!


A flor se abriu
E o colibri exalou
Todo o seu perfume.


Há flores no campo
Quase sempre abandonadas...
Ó, Colibri, viva!!!

Eis que o Sol nasceu
E encheu a Flor de Amor
Que Floriu pra mim!!!


Flor e Beija-flor
Oh, quão néctar amargo...
Num Jardim senil.



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

ABALA QUERIDA, A VIDA!


Aquela bala perdida
A qual surgiu de repente!
Somente abala a ferida
De tanta gente inocente?!

Não, não há bala perdida!
Há mesmo é bala bandida
Que tira a vida da gente
E do tira consciente.

Não, não há bala perdida!
Há mesmo é bala sentida
No peito do inocente?

Toda bala atinge algo
E alguém é sempre alvo
Pois todo tiro é certeiro!

Aquela bala perdida
Que pegou o inocente
É mesma bala querida
Da sina de muita gente
Que vai seguindo a vida
Tendo a morte à frente...

A bala é um acidente
Que ninguém pode escapar!

É atitude do amigo
Que comete a traição!
É como a fatalidade
De um carro na contra mão
Que a direção defensiva
Não vai lhe dar proteção!

É assaltante surpresa
Que rouba o cidadão!
É o ataque fulminante
Que sofre o coração!

Mas ninguém vai lhe dizer
Que era o perdido amigo
Que era um carro perdido
Ladrão perdido, então
Talvez, a morte perdida
A que queria sua vida
Para botar no caixão!

Posto que esta é a sina
Que não tem explicação!...

Mas todos querem explicar
O que a vida se explica...

Abala querida a vida!
A bala aguerrida à vida
Que não tem outra saída!
A bala que é perdida
É sina que a gente finda!

ENTRE OS VERMES, O HOMEM


Não se pode comparar
O homem sequer ao verme
O ser no seu degradar
Só a si mesmo se serve

Entre o homem e o verme
Há semelhança animal
Um que sabe e escreve
O outro, ir-racional

Às coisas da natureza
Inexistem a difama
O homem é pura crueza
Se finda: escória e lama

Ó, natureza cruel
É a da humanidade
Morte, parece-lhe mel
Desde a primitividade

Mesmo abaixo de mim
Parecendo sem valor
O verme espera o meu fim
Do crápula ao doutor

Dizem que o animal
É bicho inferior
Homem é universal
Até no seu desamor

Os vermes sempre são vermes
O homem sempre é homem
Mas estes tiranos germes
Todos os vermes os comem.