ESTATÍSTICA DIÁRIA

ADMIRADORES DAS IDEIAS

domingo, 9 de janeiro de 2011

RAIVA EM CINZAS


O que é a raiva? A raiva é uma "caixinha de surpresa" que, muitas vezes guardamos no fundo do nosso coração para nós mesmos. Isto é, geralmente, de forma inconsciente, por sermos artificialmente vingativos e guardarmos rancor com facilidade. Aquele que não quiser ser surpreendido por si próprio com a tal "caixinha de surpresa" que procure eliminar de uma vez por todas a raiva que lhe aflige a vida, a alma. Porque a raiva que às vezes possuímos, nem sempre sabemos o que nela contém em sua essência. Sabemos apenas, para que fim a desejamos utilizar, mas desconhecemos por total os efeitos, os transtornos que ela pode nos causar à nossa própria existência. É a raiva um vírus criado pelo próprio sentimento humano - o laboratório do mal - o qual tenta corromper, a qualquer preço, a qualidade inata de sermos bons. Tal vírus, que corrói, que trucida, que mutila os sentidos do ser...
Se a raiva, um dia, chegar a sua vida - a pior das raivas.  E ela quiser se apossar do seu coração e quiser fazer morada, não a deixe, a expulse abruptamente e jamais deixe que isso aconteça. Faça de tudo para se ver livre dela, e se isso vir a acontecer, a elimine por total de seu coração, da sua vida, pois toda e qualquer raiva, por menor que seja, é nociva à alma. É a raiva uma coisa desagradável e qualquer teor dela no coração é maléfico à alma e faz perder o que possuímos de mais belo e harmonioso em nossa vida - os nossos sentidos. Pois são estes que nos faz sentir bem, alegres e saudáveis e que nos faz com que vivamos harmoniosamente felizes.
Transforme a sua raiva em cinzas. Desabafe o seu ódio, o seu rancor e elimine, de uma vez por todas, o vírus que consome o seu coração, a sua alma e os seus sentidos. Para eliminar mesmo a sua raiva escreva tudo que sente do fundo de seu âmago; escreva sobre um papel, um pedaço qualquer de guardanapo, revista, jornal aproveitando o mínimo de espaço existente, mas escreva. Escreva preenchendo todos os espaços do papel e esvazie do seu íntimo toda a sua raiva. Escreva, escreva, escreva até não mais ter o que escrever, o que desabafar. Escrevendo tudo que sentir, mas tudo mesmo, sem deixar sequer vestígio algum e absolutamente nada. Até sentir-se totalmente aliviado, com a alma calma e a consciência tranquila; e a visão, a audição, a respiração, a pele, o olfato a se encontrarem em perfeita harmonia, fazendo assim o eu-profundo gozar da eterna paz que só o amor pode proporcionar. E, quando se sentir profundamente de que não há mais o que desabafar e as lacunas do papel já  estiverem por completo preenchidas. Pegue de tudo que escreveu, que desabafou, mas de tudo mesmo, com muito cuidado  para não se esquecer, nem de deixar pelo chão esquecido, sequer qualquer pedaço desses escritos e com o auxílio de um fósforo em chamas, se deleite, assistindo prazerosamente, sem rancor, sem ódio a sua raiva transformar-se absolutamente em cinzas e esvair-se numa nuvem de poeira ao vento e, assim, perder-se no infinito do esquecimento.....

22/09/94    

OTIMISMO UTÓPICO



Se, assim  que nascêssemos, tivéssemos a certeza plena de que morreríamos um dia, ou seja, de que todos nós, temos como destino inexorável,  a morte,  a princípio, não nasceríamos. Morreríamos, ainda nascituro. Isto é, antes mesmo de nascermos, abdicaríamos felicíssimo a nossa chegada à existência terrena. Mas graças a Deus - o nosso supremo criador -, todos nós, sem exceção, tomamos por sábia opção divina a preferência em viver, mesmo que perigosamente, fantástico mistério que é  a vida e que ela nos impõe e que, ao mesmo tempo, o destino nos omite sempre e sempre a vivermos na iminência da morte, feitos verdadeiros moribundos esperançosos em viver na vida e pela vida. Tudo isso, pelo simples fato de sermos dotados de um otimismo inato, adquirido ainda, antes mesmos da nossa concepção e da nossa aparição precípua a terra, para nos tornar Otimistas Utópicos natos; um otimismo emanado no contato com o que é denominado de sociedade ou meio social.
Diga-se otimismo utópico como sinônimo de sonho, de perseverança, de desejo e de esperança como em uma ficção da qual se faz realidade, através de uma realidade virtual, ainda muito antes do que se era esperado, isto é, envolto de amor, fraternidade, e acima de tudo, de um altruísmo que se chega a ser mais que transcendental é divinal.
O otimismo utópico aqui, trate-se mais de uma abstração positiva que eleva o espírito humano, quando ao compartilhar do que existe de mais belo e mirífico em toda a sua existência, que é o amor ao próximo e o amor a si mesmo, mormente quando se refere a sua relação social. É, portanto, o otimismo utópico, o único alimento constante que se pode ter para conseguir a total realização dos objetivos, dos verdadeiros ideais que todo e qualquer homem, literalmente social, almeja alcançar.
O otimismo utópico, do qual todos somos dotados e revestidos de perseverança e altruísmo, é o que transformará toda e qualquer sociedade. Diga-se passagem, a sociedade da qual tem como filosofia econômica o "capitalismo selvagem" que leva como essência o extremo egoísmo dos hipócritas capitalistas, os quais, só pensam em si e se utilizam do provérbio maior que é "venha a nós, e ao vosso reino, nada" sendo esta a sua oração diária de seu afã, a discriminar e a arrasar a cada segundo no mundo, a todos e a si próprios, conscientes e inconscientemente com e em um genocídio premeditado pelo sistema, "capitalismo selvagem".
Só uma grande dose de verdadeiro altruísmo e de solidariedade é que se dá a verdadeira essência genuína do otimismo utópico, do qual se é fortalecido, por muitas dessas dádivas para extinção absoluta do capitalismo selvagem, que ora permeia quase todas as sociedades que assim se dizem democráticas, através de um capitalismo que se faz cristalizado pelo egoísmo que tanto tem afligido e desmoralizado, mormente, classes menos favorecidas da nossa sociedade. O otimismo utópico, essencialmente altruísta fará com que renasça no âmago de cada sociedade a verdadeira educação, a verdadeira saúde, a verdadeira moradia, a verdadeira segurança e, como supra-sumo dos problemas exclusivamente sociais, por fim, o verdadeiro trabalho de que todo homem precisa, para se sentir verdadeiro cidadão respeitado e digno, e não, um homem ou um povo sofrido e oprimido...
Contudo, tudo isso só será possível, quando a sociedade como um todo conseguir entender e tomar consciência plena do que é o verdadeiro significado desse OTIMISMO UTÓPICO o qual tem como essência o altruísmo que grassa no coração e na mente de todo povo e de toda uma nação, para assim poder Ter o que é o verdadeiro cidadão. E tudo não mais passar de pura abstração para se transformar em realidade absolutamente concreta. Assim como a certeza de que, sem exceção, todos um dia iremos morrer. Isto é, apenas com uma grande ressalva, de que iremos partilhar com toda a certeza, de um paraíso reservado por Deus, longe deste autêntico orco que os homens o denominaram de sociedade "capitalista".

22/09/94

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

INFINITO APOGEU

INFINITO APOGEU

Olho nos olhos
Me sinto Narciso
No além paraíso
Dos meus olhos nos teus.

Olho nos olhos
No espelho te vejo
O ósculo desejo
Não posso, meu Deus!

Olho nos olhos
Espelho de ti
Retrato de mim
Infinito apogeu.

Olho nos olhos
Janela da alma
Eis o meu trauma:
O romantismo morreu?


O AMOR, NEM SEMPRE NÃO...

O que pensa um coração?
Não se sabe ao certo...
Só sei, porém, que o olhar
Fala mais do que o silêncio
De todas as bocas do mundo...

Um coração precisa
Do diálogo taciturno dos anjos
Assim como,
Um olhar precisa
Do sorriso apaziguador dos ventos...

Há na alma
O segredo irrevelável do amor
E na mente,
O poder iminente desse mesmo amor.

A flor despetála-se
Em seu tempo exato;
O amor, porém, nem sempre não
Permanece enigmático...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A POESIA EM PROSA


 DECLARAÇÃO DE AMOR  À POESIA

Prezada Poesia,

Abstrações mil!!!

            Há muito que vivia latente e sempre quis exprimir do meu âmago anímico a essência que se referisse única e exclusivamente à abstração, isto é, pela metáfora ou figuração. Hoje, certeiramente, posso contar com você minha Poesia minha, e dizer, sem constrangimento e sem receio, de que partilha poeticamente do meu existir.
Apego-me à metáfora para nomear redundantemente Poesia em Poesia. Sim, teu nome. O teu nome  é Poesia como sempre foi poesia e que, a partir de agora, passará a ser muito mais... porque a tratarei poeticamente. Assim como Drummond tratava sua poesia de Lyo ou Lio; Umberto Eco a tratou de Rosa, em O Nome Da...; eu, a comparo a Ema Bovary, mas a prefiro Poesia que assim me satisfaz mais dignamente à abstração que sempre ansiei. Outros (poetas, sonhadores) a terão puramente por inspiração; eu, especialmente, a terei – além da inspiração e da transpiração – por abstração, esta que difere respectivamente de Drummond e de João Cabral, porque o teu nome transcende a poesia de todas as Estéticas por ser Poesia em poesia de corrente lirismo – a minha real abstração.
O meu eu em ti (Poesia) como a minha realização pessoal é o meu emimesmamento demasiado com os meus eus de mim, os quais diferem dos heterônimos pessoano, porque são autodenominações, auto-homônimos dos eus exclusivamente sociais que o teatro da vida exige-me que seja representado, isto é, como um mirífico refúgio à sobrevivência. Entre todos os eus, é a vida Emeceana (Poeta-Poesia) a que me faz estar mais e mais prisioneiro de ti minha Poesia minha para que eu me sinta livre de veras.    
O meu eu lírico é shakespeareano, é trágico como o teatro em Sófocles; já os meus eus estão mais para a lenda de Narciso em que Oscar Wilde, sensivelmente, transferiu e atribuiu até para o lago – literalmente lágrimas –  o narcisismo, este que não é menos demasiado do que a minha admiração por mim, pois não choro a morte de Narciso como o lago, mas tenho lamentado o meu próprio fenecer pela degradação do meu teatro. Aqui sim é que é tragédia – não a grega –, mas a tragédia universal, da qual ninguém está isento,  marcada pelo crudelíssimo e inexorável tempo limitado pela vida, porém, eternizado com sabedoria no amor, na Poesia  e na abstração que ora me vejo submerso.
Ser lírico é ser romântico tal qual estética de outrora que sempre esteve presente em mim a me fazer um eterno nefelibata por me abstrair demasiadamente com o teu nome Concreta(mente) na tríade Augusto-Décio-Haroldo e no Realismo machadiano quando te leio os olhos D’alma, tal qual os de Capitu em ressaca,  e vejo fluir ao mesmo tempo a essência de fêmea-menina-mulher a me exprimir – ainda que timidamente – de teu âmago o que é de ti (Poesia em Poesia); o que é de teu ser, de tua alma e, acima de tudo, do teu nome: Poesia. O teu nome, o qual nunca me cansarei de clamar e de cantar... Poesia, POESIA, PO-E-SI-A.

           Do teu sempre Poeta.      

        

A POESIA  PROPORCIONANDO ARTE

                Outrora, a poesia estava comigo e partilhava da minha existência assim como a amada do trovador nas Cantigas de Amor, ou, como para o poeta, a amada no Romantismo. Neste, por um amor idealizado, naquelas, pela  inacessibilidade do seu amor. Todavia, apesar da intencionada abstração que tanto tenho alardeado no mais íntimo do meu afã, sinto a cada instante a Poesia muito mais próxima de mim parecendo querer se materializar, e de repente me vem à consciência o espírito filosófico, e o logos se instaura em Platão ou a razão poética impregnada do Concretismo cabraliano revestido de transpiração, a se manifestar implorando com toda a razão de um coração, dizendo:
           
Não, minha poesia minha, não te materializa não Permanece em teu estado latente Longe dos meus olhos e dentro do meu coração Que só assim eu ficarei contente.
A poesia que antes sempre estive a expressar sobre os seus sentimentos mais íntimos, agora me vem a mim  e expressa por ela mesma, com muita beleza, o que nenhum poeta jamais conseguiu exprimir e, se assim o fez, fingiu descaradamente como nos colocou muitíssimo bem o poeta português, Fernando Pessoa, ao dizer incluindo a si mesmo sem receio:
           
            “O poeta é um fingidor Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que de veras sente.”
Como o poeta pode ousar tanto em querer falar da poesia? Isso é impossível, inexiste e qualquer intenção que se pretenda é vã, inútil. Só a poesia é que pode falar de si mesma. Só ela conhece a si mesma ante mesmo de Sócrates querer filosofar sobre o “conhece-te a ti mesmo” ela já transcendia a qualquer filosofar, posto que já era a própria forma de se filosofar em Parmênides. A Poesia fala com emoção-razão inspirada numa linguagem camaleônica, aí o poeta se confunde, fica indeciso sem saber ao certo o que é real ou irreal. Se verdade ou se verossímil. O poeta é invadido pela dúvida shakespeareana em Hamelet – Oh dúvida cruel, crudelíssima dúvida! É o jogo eterno das (in)certezas entre a dissimulação e a revelação...

E ante esse transcendental jogo dicotômico de coisas vou mergulhando nesse aquário de momentos repletos de águas de idéias literárias e filosóficas que só a Poesia sabe proporcionar com tanta sutileza, e assim, vou também suavemente mergulhando nesse mundo da arte sem receio.

Mas, nesse aquário não se mergulha qualquer peixe Tem que ser o rei-deus dos mares – não Netuno –, mas o tubarão Pois que nesse mar limitado, pode aparecer um tufão E abalar esse pequeno oceano que se chama coração No qual um único peixe é que pode navegar Assim como nas águas de um mar nunca dantes navegável? Sim, porque assim como em “Os Lusíadas”, Camões, Também me faço pioneiro e desbravador Desse momento inusitadamente feliz de amor Porque são de bons momentos em que se vive a vida Como em “Instantes” do argentino Jorge Luiz Borges.  Nesse aquário de prazer Vinícius dá a sua contribuição E diz que o “amor seja eterno enquanto dure” Ainda que seja num ínfimo espaço desse aquário de cristal.

Poeta e Poesia degustaram na arte culinária, Discorreram sobre idéias afins e diversidade íntimas, extra-arte E fizeram do momento belíssimo uma realidade ameaçadora Por causa de um olhar perscrutador próximo-distante Com se a cena quisesse negar o que estar em Madama Bovary Um olhar gritante que poderia ter estilhaçado o aquário de cristal E tudo se acabasse literalmente em água... Mas não, deu-se em ave. A poesia atendeu ao clamor do poeta e se manteve intactamente abstração E assim podemos transpor o ínfimo e sufocante espaço do aquário Para que, nas asas do pégaso fizéssemos a nossa Odisséia.

No primeiro pouso visitamos a arte poética em Pessoa E fomos diretamente à sua “Autopsicografia” de fingidor Onde a Poesia leu-me belamente versos de amor Entre a suave brisa que emanava do Atlântico E o saboreio de sorvete de chocolate crocante – recheio brigadeiro. Era o idílio bucólico na noite cálida de agosto Recitado pela ninfa com uma beleza íntima Que só uma deusa sabe fazer uso, para seduzir o coração do Poeta.

Para imprimir bem esse momento, proporcionado pela Poesia, foi na arte da pintura que a beleza realmente transcendeu mirificamente, e negou com sapiência  a banalidade entediante da qual vivem reles mortais  atordoados pelas convenções.   Na sala de exposição entre tantas belas-artes como “Pescadores” de Di Cavalcanti, “Independência ou Morte” de Carlos Scliar, “Figura” de Milton Dacosta  foi justamente a de Anita Malfatti,  cuja intitulação estava contida na própria obra  “Valência”, que caracterizou  tudo aquilo que a Poesia intencionalmente queria  expressar para o Poeta seu. Foi na obra malfattiana que este Poeta desvendou que “Tudo Vale(ncia) apenas, Quando a alma não é pequena” nesse metamorforsear de belas-artes-poética.

No segundo pouso, Poeta e Poesia estavam na galeria de artes. E em “Valência” tudo valeu, vale e valerá para sempre Como essência genuína segundo a percepção do Poeta. “Valência” é o retrato de tudo que é arte bela, como a música, a escultura... E entre todas as artes está também o que é e o que não é Está o olhar de admiração do leigo visitante Está a apreciação perscrutadora do amante – da arte Está o olhar de soslaio tímido  do leigo ou transeunte. Por fim, “Valência” não é mais “Valência” como prima obra Para tantos que se valeram em admirá-la repetidas vezes E a cada vez se perderam no infindo universo da obra malfattiana. “Valência” agora nós é um ícone que irá marcar o belo  momento vivido O qual nos insere na obra como parte essencial da emoção sentida. “Valência” é como uma imensurável janela que nos faz continuar a nossa Odisséia Agora, via janela de “Valência”, para o infindo azul celeste do nosso afã. “Valência” vale para si mesma como obra-prima “Valência” vale para tudo e para todos os seus amantes Assim como, Mário de Andrade, poeta modernista  Que nunca se cansou em admirá-la por muitas e muitas vezes E como também o fez Francisco Ivan, Dr. em literatura - como me assegurou enfaticamente a Poesia. E por fim, fizemos nós – Poeta e Poesia – o mesmo por três vezes apenas, Mas que não nos isenta de estarmos naquele livro fechado Na fusão entre artesão e artesanato ou poeta e poesia A dançarmos da partitura a canção, a admirarmos no jarro o artesão, O músico no violão como se no todo ou na parte  Houvesse sempre e sempre algo de (todos) nós. 
   

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

ANIVERSÁRIO DO 1º ANO DO PONTO DE LEITURA - BCOG

BIBLIOTECA CULTURAL OTÁVIO GARCIA E O PONTO DE LEITURA REALIZAM, EM 23/10/2010, PROJETO CHÁ COM POESOFIA, TEMA LIVRE COM O SOCIÓLOGO JAIR POPPER, ÀS 14:00 H (SÁBADO)






COMO CHEGAR À BIBLIOTECA

sábado, 2 de outubro de 2010

DO LIVRO: BISACO DE PENSADOR MAIS UMA RUMA DE IDEIA





BISACO DE PENSADOR
(Autor: M. C. Garcia)

Carrego idéias no meu
Bisaco de Pensador:
São poetas e filósofos
Justos no bem, no amor.
Sou arauto da palavra,
Da poesia, Lavrador.

No meu humilde Bisaco

Tem poeta nordestino;
Do Romance ao Cordel
Da moira ao desatino,
Reflete todos mortais:
Que terão mesmo destino.

E vem de remotos tempos,

Epopéia Universal:
Ilíada e Odisséia
Antiga poesia oral,
Desse poeta Homero,
Trovador descomunal.

E o fundamento oral

Leva nome poesia.
E por sua vez, Parmênides
Fez sua Filosofia
Poema Da Natureza:
Base da Ecologia.

No meu Bisaco têm Sócrates,

Aristóteles, Platão.
A Filosofia grega
Trazida por geração;
Pré-socráticos, também:
Heráclito e Zenão.

São Filósofos, Poetas

Que buscam elevar o Ser
Em nome da Metafísica,
Que só enaltece o ter
Essência de fazer Bem,
Desprendimento viver.

E dos Cristãos Pensadores

Eis, São Tomás de Aquino,
E, também Santo Agostinho,
Uma dupla do destino
Do nosso mundo cristão,
Pelo Deus nosso Divino.

Filósofo do Sertão,

Violeiro cantador;
E quem romanceia terra
É chamado escritor;
Os que falam com encanto:
Cordelista, glosador.

Eis Luiz Gonzaga, Rei,

Que criou, cantou Baião;
Também, José de Alencar:
Iracema, a Criação.
Do Assaré, Patativa
Fez poesia do Sertão.

Pois carrego menestréis,

Bem como os cordelistas:
Zé Limeira; Zé Praxedes
E também os repentistas:
Negra Chica, Zé da Luz,
Poetas popularistas.

Eu tenho no meu Bisaco,

O Pavão Misterioso;
João Grilo, Amarelinho;
Cancão de Fogo, tinhoso.
São Clássicos do Cordel
Desse clã maravilhoso.

Vamos pra Literatura

Do meu Barroco Brasil.
O Gregório Matos Guerra,
Boca de Inferno mil
Da crítica, da política,
Da igreja ao Pastoril.

Tem agora o Arcadismo

No bucolismo a plaga
Em Marília de Dirceu,
Obra que não se apaga.
Glauceste, amigo de
Tomás Antônio Gonzaga.

Eis, então, o Romantismo.

Nessa poesia a Corrente
Dividida em três fases
Porque surgiu muita gente,
A retratar o Nordeste,
Pobre terra indigente.

E vejamos Castro Alves,

Um condoreiro, à vista;
Eis também Gonçalves Dias,
O Poeta indianista;
E o Graciliano Ramos,
Do Romance sertanista.

Machado de Assis foi

Realista, o precursor.
Academia de Letras
Fez, e poetou o amor
No seu livro: Dom Casmurro,
Capitu - mulher vigor.

Das estéticas, três linhas:

Vem logo Naturalismo,
Sendo a contemporânea
Desse mesmo Simbolismo;
Antecessor do Moderno,
Eis o Parnasianismo.

Aluísio de Azevedo,

Poeta Naturalista;
Alphonsus de Guimaraens,
Verdadeiro Simbolista;
Poeta Olavo Bilac,
Príncipe Parnasianista.

Os Pré-modernistas, veja

Onde Os Sertões e tudo
Fala o Euclides da Cunha
Do Conselheiro Barbudo.
E vem Augusto dos Anjos,
Grande poeta raçudo.

E entremos no Moderno,

Eis a Semana de Arte,
Teatro Municipal.
E é São Paulo quem parte
No ano de vinte e dois
Pra terra de Malazarte.

A Obra Macunaíma

Deste Mário de Andrade,
E Juntamente Oswaldo,
Bandeira quebra a “grade”,
Com o seu poema Os Sapos,
E assim, faz-se confrade.

Eis Corrente genuína

Às terras do meu Brasil,
Porque descobre Cascudo
E outras culturas mil;
E a Antropofagia
É comer estranja vil.

Chegamos ao Concretismo,

Tríade dessa Estética:
Décio, Augusto e Haroldo
Quebram o verso com ética.
Ferreira Gullar, o crítico
Das plásticas, da poética.

Mas, há na Literatura:

A Visual e Processo,
A Marginal e Hai Kai
São Poesias em progresso:
Tem a Experimental...
Todas livres - um sucesso?!

Então, o contemporâneo

Deixou tudo bem legal.
Cresceu a Literatura
E se fez universal.
As correntes se findaram.
Tudo real-virtual.

E há instituições

Que elevam o artista,
Poeta, versejador,
Pensador, socialista
Filósofo, cantador
Bem como, capitalista.

Há poetas nas Favelas

A mostrar realidade,
No som: Rap, Hip Hop,
Transformando a Cidade.
São marginais, não bandidos !
Sabedores da Verdade.

Porém, há alguns parnasos

Que não vivem na real,
Estão inventando moda,
Falando de bem e mal
Poeta e cordelista
Mas, para mim, é normal.

Pensadores e poetas,

Pra mim são todos iguais,
Ante bandeira que levam;
São normais e anormais.
São da Razão-Coração,
Sendo todos Universais.

Sou poeta pensador,

De nome Eme Cê Garcia;
Vou lidando com Palavras,
E escrevo Poesia;
Mas, quando a meditar,
Vivo a Filosofia.

Meu Bisaco, minha Mente.

Por isso, sou Pensador;
Bisaco à tira-colo
Não passa de portador;
São coisas materiais.
Porto, deveras, AMOR.

Esse vai aqui guardado

No CORAÇÃO, na Cabeça,
Eu vou por esse Rincão,
Talvez, você desconheça.
E, lê este meu Cordel,
É PRECISO, NÃO ESQUEÇA !


A CANTILENA DA PAZ*M. C. Garcia
Clamo às musas da paz
Que me oriente agora
Neste meu canto pacífico
Diferente de outrora
Sou menestrel mensageiro
Que aqui a paz implora.

Eis uma nova atitude
De a paz se conquistar
Sócrates, Gandhi e Cristo
É tríade exemplar
Mas hoje, muito mudou
Então, a paz é cantar.

Cante pra corrupção
Aos que promovem a guerra
Cante para todo o mundo
Que vive sobre a terra
Cante sempre com amor
Que todo esse mal se encerra.

Cante para injustiça
Da fome do seu irmão
Cante para a vigarice
Da qual usa o patrão
Pois cante, porque o canto
Transcende em oração.

Meu poema canta a vida
Dos que são discriminados
Dos meninos inocentes
Que vivem abandonados
Sem escola, sem carinho
Sem punição dos culpados.

Cantemos pra que não surja
Entre nós o inimigo
Que possa vir disfarçado
Dizendo-se ser amigo
Meçamos seu coração
Se há ódio – há perigo!

Não darei grito de guerra
Porque eu não sou guerreiro
Faço meu canto de paz
Pois sou poeta altaneiro
Canto mais amor à vida
Como novo justiceiro.

Pois não se deve gritar
Grito é puro horror
Que se cante com beleza
Porque reflete o amor
Para que a humanidade
Supera a sua dor...

Poeta não usa arma
O poeta tem caneta
Escreve com o coração
Com a força de um cometa
Na escrita tem poder
Para salvar o planeta.

Caneta é para a vida
Arma é destruição
Escrevo está metáfora
Em nome da construção
Do bem, de toda justiça
Em forma duma canção.

Todo cuidado é pouco
Dobremos nossa atenção
Do que estamos fazendo
Em nome desta nação
Cantando ou trabalhando
Pela paz e união.

Façamos o nosso hino
Esta bela cantilena
Seja ela a bandeira
E também nosso dilema
Uma forma de oração
No cantar deste poema.

Escrevo como filósofo
Mas, coração de profeta
Quero que este meu canto
Dê à luz a qualquer meta
Voltada em nome da paz
Que traz o homem-poeta.

Pois sou M. C. Garcia
Gente igualmente a vocês
Porém, vivo a refletir
De quando será a vez
De o homem ser ele mesmo
Fugir do seu grande esmo
E deixar desse talvez...

* Poeta e Filósofo