ESTATÍSTICA DIÁRIA

ADMIRADORES DAS IDEIAS

domingo, 1 de setembro de 2013

IV LIVRO - BISACO DE PENSADOR MAIS UMA RUMA DE IDEIA, LITERATURA DE CORDEL - 2008 - NATAL/RN




APRESENTAÇÃO

Adentrar nas formações silábicas de um homem de letras é deverasmente seguir a estrada da nova aprendizagem, é abrir espaço no juízo, para o novo, o de agora.
Os enletramentos cordialísticos deste cabôco, deixa a mostra de sua coragem e valenteza, típica dos que se assinam “GARCIA”.
Este vai amuntado no corcel do cordelismo, pegado na crina dos pensamentos, no tracejar da métrica, fazendo de palmo a palmo seu universo de temas diversos.

BISACO DE PENSADOR

Precisa de muitas mãos
Pra acompanhar esse andor
Pra sustentar esse saco
É preciso ter bisaco
De Filósofo Pensador
E digo assim pra você
O certo é que M. C.
Vive na filosofia
E lhe digo, num me engano
É deveras de tutano
Essa sua poesia.

PAULO VARELA
Mestre da Cultura Brasileira



BISACO DE PENSADOR
MAIS UMA RUMA DE IDÉIA

São poemas compilados
De infindas odisseias
Que o leitor pode fazer
Sem pensar em panaceias.

É Metáfora do Saber
Através da Poesia
E também reflexão
Dada à Filosofia
Desse nobre pensador
Poeta M. C. Garcia.

O Autor

PREFÁCIO

Sinto-me honrado por ter sido convidado a prefaciar esta obra literária do Poeta e Filósofo M. C Garcia, este que tem contribuído com a cultura popular do Rio Grande do Norte e com a de outros estados brasileiros. Com esta  antologia poética M. C.  explora religião, ciência, filosofia e arte, deixando com isso o leitor altamente repleto de conhecimento poético e ao mesmo tempo ressuscita resgatando a Literatura de Cordel de forma inusitada para o povo, com mensagens que enfocam aventura, paz e amor com jeito simples e rebuscado.
O autor avança de letra em letra indicando de forma inteligente um caminho para uma vida mais sociável e rica de conhecimento buscando amor supremo para atingir o saber.

BRAGA SANTOS é desenhista e poeta cordelista.


BISACO DE PENSADOR

CARREGO ideias no meu
Bisaco de Pensador:
São poetas e filósofos
Justos no bem, no amor.
Sou arauto da palavra,
Da poesia, Lavrador.

No meu humilde Bisaco
Tem poeta nordestino;
Do Romance ao Cordel
Da moira ao desatino,
Reflete todos mortais:
Que terão mesmo destino.

E vem de remotos tempos,
Epopeia Universal:
Ilíada e Odisseia
Velha tradição oral,
Desse poeta Homero,
Trovador descomunal.

E o fundamento oral
Leva nome poesia.
E por sua vez, Parmênides
Fez sua Filosofia
Poema Da Natureza:
Base da Ecologia.

No meu Bisaco têm Sócrates,
Aristóteles, Platão.
A Filosofia grega
Trazida por geração;
Pré-socráticos, também:
Heráclito e Zenão.

São Filósofos-Poetas
Que buscam elevar o Ser
Em nome da Metafísica,
Que só enaltece o ter
Essência de fazer Bem,
Desprendimento viver.

E dos Cristãos Pensadores
Eis, São Tomás de Aquino,
E, também Santo Agostinho,
Uma dupla do destino
Do nosso mundo cristão,
Pelo Deus nosso Divino.

Filósofo do Sertão,
Violeiro cantador;
E quem romanceia terra
É chamado escritor;
Os que falam com encanto:
Cordelista, glosador.

Eis Luiz Gonzaga, Rei,
Que criou, cantou Baião;
E José de Alencar:
Iracema, a Criação.
Do Assaré, Patativa
Fez poesia do Sertão.

Pois carrego menestréis,
Bem como os cordelistas:
Zé Limeira; Zé Praxede
E também os repentistas:
Negra Chica, Zé da Luz,
Poetas popularistas.

Eu tenho no meu Bisaco,
O Pavão Misterioso;
João Grilo, Amarelinho;
Cancão de Fogo, tinhoso.
São Clássicos do Cordel
Desse clã maravilhoso.

Vamos pra Literatura
Do meu Barroco Brasil.
O Gregório Matos Guerra,
Boca de Inferno mil
Da crítica, da política,
Da igreja ao Pastoril.

Tem agora o Arcadismo
No bucolismo a plaga
Em Marília de Dirceu,
Obra que não se apaga.
Glauceste, amigo de
Tomás Antônio Gonzaga.

Eis, então, o Romantismo.
Da poesia a Corrente
Dividida em três fases
Porque surgiu muita gente,
A retratar o Nordeste,
Pobre terra indigente.

E vejamos Castro Alves,
Um condoreiro, à vista;
Eis também Gonçalves Dias,
O Poeta indianista;
E Graciliano Ramos,
Do Romance sertanista.

Machado de Assis foi
Realista, o precursor.
Academia de Letras
Fez, e poetou o amor
No seu livro: Dom Casmurro,
Capitu - mulher vigor.

Das estéticas, três linhas:
Vem logo Naturalismo,
Sendo a contemporânea
Desse mesmo Simbolismo;
Antecessor do Moderno,
Eis o Parnasianismo.

Aluísio de Azevedo,
Poeta Naturalista;
Alphonsus de Guimaraens,
Verdadeiro Simbolista;
Nosso Príncipe Bilac
É um Parnasianista.

Os Pré-modernistas, veja
Aonde Os Sertões e tudo
Fala Euclides da Cunha
Do Conselheiro Barbudo.
E vem Augusto dos Anjos,
Grande poeta raçudo.

E entremos no Moderno,
Eis a Semana de Arte,
Teatro Municipal.
E é São Paulo quem parte
No ano de vinte e dois
Pra terra de Malazarte.

A Obra Macunaíma
Deste Mário de Andrade,
E Juntamente Oswald,
Bandeira quebra a “grade”,
Com seu poema Os Sapos,
E assim, faz-se confrade.

Eis Corrente genuína
Às terras do meu Brasil,
Pois que descobre Cascudo
E outras culturas mil;
Porque Antropofagia
É comer estranja vil.

Chegamos ao Concretismo,
Tríade dessa Estética:
Décio, Augusto e Haroldo
Quebram o verso com ética.
Ferreira Gullar, o crítico
Das plásticas, da poética.

Mas, há na Literatura:
A Visual e Processo,
A Marginal e Hai Kai
Poesias em progresso:
Tem a Experimental...
Todas livres - um sucesso?!

Então, o contemporâneo
Deixou tudo bem legal.
Cresceu a Literatura
E se fez universal.
As correntes se findaram.
Tudo real-virtual.

E há instituições
Que elevam o artista,
Poeta, versejador,
Pensador, socialista
Filósofo, cantador
Bem como, capitalista.

Há poetas nas Favelas
A mostrar realidade,
No som: Rap, Hip Hop,
Transformando a Cidade.
São marginais, não bandidos!
Sabedores da Verdade.

Porém, há alguns parnasos
Que não vivem na real,
Estão inventando moda,
Falando de bem e mal
Poeta e cordelista
Mas, para mim, é normal.

Pensadores e poetas,
Pra mim são todos iguais,
Ante bandeira que levam;
São normais e anormais.
São da Razão-Coração,
São todos Universais.

Sou Poeta-pensador,
Eu sou Eme Cê Garcia;
Vou lidando com Palavras,
E escrevo Poesia;
Mas, quando a meditar,
Vivo a Filosofia.

Meu Bisaco, minha Mente.
Por isso, sou Pensador;
Bisaco a tira-colo
Não passa de portador;
São coisas materiais.
Eu, porém, porto AMOR.

Esse vai aqui guardado
No CORAÇÃO, na Cabeça,
Eu vou por esse Rincão,
Talvez, você desconheça.
E, lê este meu Cordel,
É provar do doce mel
Do Saber, pois NÃO ESQUEÇA !

A VIOLÊNCIA URBANA

QUERO que vocês escutem
O que digo com amor
Parem e pensem um pouco mais
Eis onde o mundo chegou
Com a violência urbana
Implantando o terror.

À noite, assusta demais
A qualquer hora também
Bandidagem intimida
Nossa vida o maior bem
os casais de namorados 
Ir à rua, não convém.

O bairro era tranqüilo
Se podia caminhar
Os pirilampos à noite
E grilos sempre a cantar
E ia-se ao vizinho
Hoje, jamais, nem pensar!

E a violência urbana
Chegou ao sítio distante
Nem a lua ver-se mais 
Por um minuto ou instante
Tudo é medo e clausura
A vida mais hesitante.

E faz-se bela morada
Eis a inversão da ética
Usufrui o bom conforto
Mas veja coisa patética:
O cidadão vive preso
Seguro por cerca elétrica?

Nem todo ladrão é preso
Nem todo preso é ladrão
E assim, o homem honesto
Paga imposto é cidadão
Mas falta a segurança
E a morada é prisão.

Cidadão luta e trabalha
E compra seu carro novo
Eis bem-estar da família
Porém, há um grande estorvo
Que causa admiração
Também, inveja do povo.

Quem criou esse tal monstro
Que se chama violência?
Foi o coração do homem
Que está em decadência?
Ou foi a razão cruel
Que carece de clemência?

Os pais vão para o trabalho
Os filhos vão para escola
Um carinho eles não têm
Traficante os explora
Quando menos se espera
Estão na droga e na cola.

O mundo está cruel
A destruir inocente
- Será a sociedade
Que elege o presidente?
Ou parte da natureza
Humana, esse vivente?

- Será a situação
Que é mesma cultural?
- Ou esse dito sistema
Tá preso mesmo no mal
Que é distribuição
De renda – vil capital?

Mas, a falta de trabalho
E super-população
São alguns desses problemas
Da desorganização
A que o mundo chegou
Perdido, sem direção.

Povo só sabe o que quer
Se conhece a  missão
Pois a violência urbana
Finda com muita ação
Com muita luta e  justiça
Destrói a corrupção.

Bem, façamos nossa parte 
Meu caro amigo leitor
Trabalhemos com justiça
Como fez o Beija-flor
Que com água no seu bico
Do fogo a mata salvou.

Se você me entendeu
Pode fazer sua parte
Ensine o pouco que sabe:
Dê amor, poesia e arte
Que é de grande valor
A quem nunca teve amor
Que deste jamais se farte!

POLÍCIA COMUNITÁRIA

Estou aqui pra contar
Como foi que sucedeu
Foi na virada do tempo
Que a história se deu
E quem aqui escutar
Diga se compreendeu

Enfrenta a sociedade
Esta cruel violência
Vejo pessoas de bem
Vivendo em decadência
Sem solidariedade
Esta é a conseqüência

A pessoa egoísta
Gera desordem fatal
Eis nossa realidade
Fenômeno universal
Criminalidade em alta
Um descrédito total

A  polícia para o povo
É uma necessidade
Resolvendo os problemas
Reais da comunidade
Sem projetos fictícios
Com falsa realidade

Polícia Comunitária
É reconciliação
Polícia-Sociedade
Desfaz a separação
Colabora em confiança
Junto à população

Polícia Comunitária
É polícia popular
Leva pra cidadania
base pra se sustentar
Aplica a legislação
Para o povo acreditar

É preciso ação conjunta
Polícia e sociedade
Para toda emergência
E sem agressividade
Combatendo todo crime
Na eventualidade

Para os homens se unirem
Criou-se democracia
Todos num comum acordo
Sendo útil à maioria
A polícia que garante
Muita paz e harmonia

A consciência da ordem
Faz o bom policial
Garante a democracia
Sendo o braço estatal
Cumprindo bem a missão
Bem na cidade local

Pelos direitos humanos
Contra todo preconceito
Combatendo a violência
Eis que isto é direito
Defendendo os mais fracos
Com muita honra e respeito

A ecologia, saúde
E também, educação
A Lei do consumidor
Cultura, recreação
São para toda polícia
Áreas de atuação

E para aperfeiçoar
A toda e qualquer ação
Formar o policial
Que não tem informação
E quem não crê em si mesmo
Vive sem motivação

O homem busca seu rosto
Acha sua identidade
No espelho do seu povo
Formando sociedade
Sendo ele fruto dela
Zela pra posteridade

Com amor e com justiça
Posto que não é demais
Ensinando a seus filhos
O mundo como se faz
E podem contribuir
E fazer um pouco mais.

Encerro esse cordel
Para você meu leitor
Contado de coração
Com carinho e com fervor
Tudo que aconteceu
Nessa terra de Deus meu
Cheia de Vida e Amor.

APELIDOS ARRETADOS

O Galo é um  lugarejo
Lá pras bandas de Igapó
Segue-se linha do trem
Vai-se num comprido só
Primeiro passa a ponte
Mais perto que Cafundó.

Os moradores dali
São iguais ao interior
Falam: vou para Natal
E quase nada mudou
Têm-se luz, água encanada
O novo, ali, não brotou.

Os cabras de lá parecem
Que não têm o que fazer
Levam a vida zanzando 
Não esquentam pra comer.
Bozó, aliado, baralho 
Muita conversa e lazer.

E colocar apelidos
É um prazer que eles têm
Aparece uma pessoa
Quando vai ou quando vem
É mulher(?) velho ou menino 
Ali, não escapa ninguém.

Para honrar bem o lugar
Primeiramente, Zé Galo
Aparecem nomes feios
Mas, eu vou em frente e falo
Posso até me complicar
Já que comecei, não paro.

Dando início os apelidos
Eis a família Correia:
É Pé de Bode, Babá
Xibéu e Negão na veia 
Grilo, Capacete, Xangu
E Sapo não vive na areia.

Agora, vem outra família
Que é da beira da linha
Se chama a Tertuliano:
Rato-Cachorro é Buinha.
É Bino Doido, Café
Pantera e Mané Peninha;

Eis um pouco da Cardoso:
Caganeira, Colorau
Fio, Mané Gordinho é Nê
Búzio, segue-se o normal
Todos de cabeça quente
Aí, quebram maior pau.

Nê Vaca, Xinim, Arenca
Titela, Mané Cotó
Tesoureiro, Pixirico
Alma Sebosa, Socó
Cabo Pelé, João Bumbum
João Caiaia e Toxó

Eis aqui Urubaiana, 
Marujo e João Timbu
Cancão de Fogo, Canjica
Codô, Ratinho, Baiacu
É Meu-Tio, Cu de Sapo 
Vêm Cueca, Pau no Cu.

Todos na linha do trem
Xingam alguém de Caboré
Vem Espirro e o Aleijado
Tem apelido Pepé.
O homem alegre e feliz
Sem saber nada é Tijé.

Eis Burro Preto e Prinche,
Zé, Mané, Chico ou João
Outros nomes diferentes
Trambica, Pita, Pesão
Não se sabe o real:
De Caboco a Zé Dentão.

É Maninho, Zé Galego
João Arara, Batainha
Pé de Quenga, Zig-Zig
Aja-Pau, ManéTainha
Cabeção, Mané Q-Suco 
E Canindé de Mainha.

Então, Beiçola e Biú
É Bochecha, Bidião
Bodete, Bala, Baiano
Buco, Bacurau, Pintão
Barrica, Baé, Bicudo, 
Piano, Tamatião.

Águia de Fogo, Diá,
Dida, Guerreiro, Chapão
Casca de Abacate, Coca
Dentinho, Camaleão
Mestre, Jorge da Cachorra, 
Fura Barreira e Peião!

Zé de Aruanda,Tigrila,
Queixinho e Jorge da Brahma
Ramo Murcho, Lobisomem
Prefeito. Ninguém reclama!
É João Soím, João Caíco 
Eita, gentinha de fama!

Puxando pela memória
Vem Brote Seco e Tonheca
Xaréu, Batatão-de-Fogo, 
É Asa Podre, Careca,
Conserva, Ciço Tienche,
Gilete e Chico Panqueca. 

Eis o mesmo Chico Nena
Com fama de valentão
Fazia muita arruaça
Nas festas de São João
Não queria pagar cota
Pra inventar confusão.

Mas no bairro apareceu
O Jacaré de Banheiro
Chamado de Péla Frango
Pelos moradores inteiros
Diz Patrulha da Cidade:
Ele, o tarado primeiro.

Fiu-Fiu, o velho Davi
Bebé de Cera, Paru 
Vem Tico, Movido a Álcool 
Come Cobra, Gabiru
Mané Porreta, Gerinho 
Que gostavam da pitu. 

Vem Cabila, Carcará
Dedé Cioba,  Azulão
Maria Gorda, Do Óleo
Eis o Xôla, Zé Oião
Tem Vige, Morcego Rampa 
É Zé Branco e João Sabão.

Xanha Reco-reco, Papa
O negro chama-se Louro 
Há gente com mais de um 
Apelidos é um estouro!
É meu caso e Estaca
De Tavuca e Ovo Goro...

Eis então, Zé Preto e Dado, 
Professor, Pema e agora
Vem Macaco, Cu de Flandre
Gela, Braço de Radiola
Vavá, Ta-tá, Tuta, Tejo.
Então chegou minha hora.

Também sou filho de Deus
Eu sou  Biísse, Baísso:
Cognomes de família
Não sou de esquentar com isso
Barril Podre era cruel!
Me causava um reboliço.

É Zorro, Pé de Pistola 
Têm Chico Popota, Aía
Cacetinho e Pau Ferro
Vem Guaxelo, Come Jia
Ganso, Pedro do Catombo
Ó, valei-me, Santa Guia!

Trago Mero, Topo Gijo
Barabadá, Curió
Chico Pereba, Ferrugem
Barrão, Raimundo Gogó
Cabeça, Bagre, Venâncio
Pedro Doido, Caicó.

Aqui vem Mané de Barro, 
Cu de Antena, Cu de Apito,
João Redondo, João do Pife
Chico Pavão não-bonito
Pica Fumo, Alma Podre 
Saquarema e Militrito.

E há gente importante
Que não quis ser apelidado
Mas em se tratar de Arte
Morto também é lembrado
Que Deus tapem suas ouças
E o tenha bem guardado.

Por exemplo, o meu pai 
O chamavam de Seu Ó
Meu avô era Pai Amélia
Que chamava minha avó
Tinha Raimundo Neguinho
Tem Seu Xixi de Igapó.

Os cabras são bem machistas
Apelidam por segundo
Mas respeitam as mulheres
Com um cuidado profundo
Pois não querem ver as suas
Vistas na boca do mundo.

Não se vive sem alcunha
Nesse mundo de meu Deus
Se Nascem recebem nomes
E poucos gostam dos seus
Os apelidos revestem
Os Corpos, as Almas, os Eus.

Todo mundo é feliz
Longe de toda Babel
Sem viver muito problema
Pra não terminar pinel
Todos aqui têm Progresso
Sem dúvida, são Sucesso
Nas linhas do meu Cordel.

O HOMEM QUE FOI  BEBÊ

“EIS que a mulher acorda,
Diz: - você já foi beber?
O marido todo cínico:
- Sim, meu bem, eu fui bebê,
Criança, hoje sou homem.
Ela: - você vai morrer!”

“Ele filosofa: Nasce,
E vive, cresce e morre;
Muitos por aí estão, 
E nunca tomaram porre.
Mas, vamos todos partir,
Assim, toda vida corre.”

Digo: quem não foi bebê,
Cresceu e ficou adulto;
Viveu essência da vida
Chorou, riu no usufruto;
Brincou, cresceu e amou.
Assim lucrou seu produto.

Mas, ainda muito jovem,
Adolescente inseguro
Como na maturação.
Pois não reflete o futuro
Doa-se todo presente
Bate de cara no muro.

É na primeira garota
Por não saber ir a ela
Oferecem-lhe bebida
E a “gata” vira bela
E de cigarros no bolso
É dono da passarela.

Muito forte e corajoso
Toma toda droga lícita
Supera todo seu medo
Agora, tudo conquista;
Desfila, é garanhão
Na festa, dança e pista.

É jovem muito feliz
Vive o mundo faceiro
Cheio de grana no bolso
Diz: - olha, aqui tem dinheiro!
Deixem que eu pago tudo!
E eles: - Meu companheiro!

O álcool fala bem alto
Na festa do seu momento
É na festa da criança, 
Ou então, no casamento,
Nos jogos todos domingos
Pra família um tormento.

E quase todos que bebem
É alegria, fervor
É um tal agarra-agarra
Com mendigo, com doutor
Chega até a beijar homem
E isso, chama amor?

Há bebo que quando fala
Só cospe e cospe na gente
Canta, conta, sabe tudo,
Ô, cabra inteligente!
Bebe tem inspiração
Logo muda de repente.

Porém, o tempo passou
Ele sequer percebeu
Que estava tão caído
Na filha de Zebedeu
Este, dono do boteco
Onde bebum já morreu

E o que ingeriu pinga
Pra conquistar a amada
Vive cada dia louco
Pela cachaça malvada
Que lhe rouba seu amor
E lhe deixa na estrada.

Vive na filosofia
De quem tá no abandono
Tal qual o velho provérbio
Que “C..” de “B...” não tem dono,
Dando comer pra Joly
Pela sarjeta sem sono.

E quem era respeitado
Zelava pelo seu nome
Hoje, têm várias alcunhas:
Esponja e Passa-fome,
Biriteiro, Papudinho,
Bebum e por fim Não Come.

- E cadê o poderoso?
- Vive cada vez na lama
- Onde tão os companheiros
Todos seus alas na fama?
- Muitos deles já morreram
Outros tão sobre a cama.

E cada dia arrasado
Quer acabar com a dor
Bebe manhã, tarde, noite
Afasta-se do amor,
O qual lhe quis ajudar
Mas sem puder, lhe deixou.

E sozinho, desprezado
Está à mesa do bar;
Ninguém quer ficar com ele
Porque está a chorar 
Pela perda da amada,
Que nunca mais vai voltar?

Mas o jovem já crescido
Não quis beber da bebida
Leite que bebe criança
De toda fonte da vida
Terminou se dando mal
Sofrendo grande ferida.

Adulto bebe no bar,
Nunca chega a bebê
Bebe bebida das brabas
Acha que não vai morrer
Mas a bebida da boa:
É elixir do viver.

Tudo começa bonito
Fica crescido e forte
No seu gole e no trago
Tudo é bom e dá sorte!
Porém, sequer sabem eles:
Vão ao ritmo da morte!

Inicia tudo largo
Não precisa de esforço
Os jovens não temem nada
Se tão no fundo do poço
Só vê uma saída:
Uma corda no pescoço.

Mas, sente no coração
O afã de ser curado
Vai enganando seu vício
Só bebe em feriado
Mas a danada cachaça
Atenta-lhe ver findado.

Busca recuperação
Vai à casa do A. A.
Vê palestras e exemplos.
Mas, em nada ver mudar,
Sente vontade tremenda
De cachaça não tomar.

O poder que lhe induz
Surge do seu coração
Sua força interior
Da fé e da oração
Que lhe faz vitorioso
Fazendo-lhe campeão.

E assim faz-se herói
Por fim, venceu a bebida.
E as lutas que se travam,
É sempre por essa vida.
Pois todo vício é droga
Que quer dá fim à corrida...

Constrói uma vida nova
Deixa então de beber
Troca tudo de nocivo
Pelo hábito viver
E toma amor a si mesmo
O lema seu é VENCER!

Reencontra a amada
Reergue a sua família
Agora é grande festa
Que segue por outra trilha
Enaltece o AMOR,
FELICIDADE que brilha.


Mas, há um grande mistério 
Por a mulher tá feliz
Ao sair o seu marido 
Ela, à igreja matriz,
Ia, orava pra Deus,
A cura do infeliz.

Assim o casal venceu
Posto que buscou com fé
E não foi fácil a luta
De marido e mulher
Porque Deus ouve as preces
Dos que sabem o que quer.

Há muitos vícios no mundo
Que nós devemos saber
Ter nessa vida bons hábitos
Buscar o sábio viver
E quem não cuida da vida
Só sacia do morrer.

O belo vício da vida
É que se viva além...
Da justiça e do amor 
A semear pra alguém
Para destruir as drogas
Que tem ceifado o BEM.

Tudo que se quer na vida
Só com força de VONTADE
Os vícios vivem no mundo
Mas o AMOR de verdade
Destrói as coisas nocivas
Mantendo as positivas
Salva a HUMANIDADE.


NAVE DE NOME CORDEL

EU escrevo para o mundo
Nas linhas desse cordel
O que vivo nessa vida:
Deleite mais doce mel
E o que ganho ou perco
Fugindo de todo fel.

Todos que aqui vivemos
Somos dotados de motivo
Pra que vivamos felizes
Temos o objetivo
De fazermos só o bem
Porque Deus tem-nos cativo.

Impreciso ter dinheiro
Pois riqueza é saúde
Ter-se digno trabalho
Pra conquistar amiúde
Partilhando boa vida
Sendo o amor a virtude.

Mas muitos querem ser ricos
E lutam pra tudo ter
Chegam até a roubar
Desvalorizam o ser
Pois vivem cheios de tudo
Nada levam ao morrer.

E hoje o mundo moderno
Exige ter o cartão
De crédito para gastar
Todo mês na prestação
Coisa que não é preciso
Mas sempre por ambição.

Muitos ainda têm que ter
À mão cheque especial
Só porque dá mais status
Não passa por anormal
Compra-se tudo que quer:
Propaga comercial.

Há então um “bem maior”
Que se denomina carro
Resolve muitos problemas
Da urbe à rua de barro
Mas, dando supervalor
É doença! é escarro!

E há aqueles que trocam
O carro por dama até
Abandonam a família
E deixam todos a pé
Dizem ir para o trabalho
Mas findam no cabaré.

Existe um outro objeto
Que tão a valorizar
Todos sabem que o tem
Mas legal é se mostrar
Na escola e no trabalho,
Com o tal do celular.

Mas existem as saídas
Pra não ser alienado
Viver a realidade
E não se sentir culpado
Buscar as coisas bem simples
Que estão do nosso lado.


Mas quer ser inteligente?
Fuja da televisão
Faça coisa bem distinta
Escolha a programação
Vá a lugar aprazível
Por sua imaginação.

Quanta coisa bela existe
Nesse mundo pra viver
Dar um bom abraço amigo
Vibrar de tenro prazer
Semear paz, alegria
Para no amor vencer.

Não precisa ter cartão
E nem cheque especial
Não faça nenhuma dívida
Leve a vida normal
Mas cuidado a tentação
Pra não cair nesse mal.

Não preciso de ninguém
Pois o meu verbo é sincero
Vivo a minha realidade
E tenho tudo que quero.
Só Deus pode me mudar:
Por isso que eu espero!

Há gente que tudo quer
E fica sempre sem nada
Outros só brigam por terra
no decorrer da estrada
Mas o que vale na vida
É a sábia caminhada.

Para vencer nessa vida
Zele bem pelo que é seu
Atente pro sim, o não
O nós, o vós e o eu
Viva sempre a Verdade
Pregada no verbo Deus.

Viajo por esse mundo
Na nave nome cordel
Vou seguindo minha vida
Fugindo dessa babel
Com amor e com justiça:
Verdade que me atiça
Em nome do Deus Fiel.

CONHEÇO-ME A MIM MESMO?

Conheço-me a mim mesmo
E quando estou comigo;
Desejo tudo de  bom
A meu distante inimigo,
Que de mim precisa mais 
Do que meu próprio amigo.

E nem tudo que eu desejo
É o que meu irmão quer;
Nem tudo, por fim, acerto
Pro homem ou pra mulher;
Muitas vezes indeciso,
Sou desguiado chofer.

E ando um tanto frustrado
Com esse meu velho mundo,
Que está do nosso lado
A  mudar todo segundo;
Mas, sem motivo algum,
Vejo-me meditabundo.

Falo deveras ao ente
Que vive perto de mim;
Mas não sou compreendido,
Demais sou mau, sou ruim;
Se ajo todo verdade,
Então, querem ver meu fim.

Que há de mal alertar
Pra alguém a não-desgraça,
Para não cair no vício
Da droga fácil, de graça; 
Em nome dessas festanças
Emanadas pela raça?...

Que há de mal em fazer
Na própria casa justiça,
Dividindo terra justa,
Sem maldade, sem cobiça
Para vida do coitado
Não terminar em carniça.

Conheço-me bem a mim,
Desconheço a meu irmão;
Por mais que eu aqui faça; 
Não vejo compreensão;
Eis o dito que diz: Cura,
Santo de casa, faz não!

Tenho a minha medida
No que eu penso e digo;
No que desejo e  faço;
No que escrevo, consigo...
E no que sinto e sonho ,
Em construir meu abrigo.

Então, eu me faço homem.
Medem-me meu coração;
Eis que cidadão estou,
A medida é a ação;
E como sou ser humano, 
Medem-me pela razão.

Sou chamado de herege
Como filósofo: louco;
Como milico: estúpido;
Mas, isso ainda é pouco
Ante tantas falsidades,
Me desligo, fico mouco.

Acredito em mim mesmo,
No desejo da razão;
A minha fé se revela
Com  ato, fato, ação,
Porque meu Deus é comigo
No afã do coração.

Sofro em ouvir calúnias
Das coisas  que nunca fiz;
Sou todo mal entendido,
Naquilo que nunca quis;
Se sou bem ou mal assim,
Cristo, quiseram seu fim.
Imito-o. Sou feliz!!!

EIS O MEU ANIVERSÁRIO
(Adaptação de texto de autor desconhecido)


DEZEMBRO é mês de festa
Compra-se muito presente 
Muita comida e bebida
Alimenta muita gente
Porém, o menino Deus
Ali, se faz muito ausente.

Como vocês todos sabem
Chega Meu Aniversário
Sempre festas e mais festas
Extrapolam o necessário
Rádio e televisão
Dominam noticiário.

Uma vez por ano Eu sei
O povo pensa em Mim.
Há muito tempo atrás
Celebrava-se enfim
Na terra, Meu Nascimento.
Hoje, não é mais assim...

Ninguém sabe o porquê
De tal comemoração
Come-se, bebe-se tudo
Mas um vazio então
A invadir as pessoas
Repletas de solidão!

Lembro-me ano passado
Quando chegou o Meu Dia 
A Festa em Minha Honra
Mas, entrar Eu não podia
Pra que Eu Abençoassem
Sua festa em harmonia.

Não Fiquei Surpreendido!
Pois estão a fechar porta
De certo tempo pra cá 
Vejo tanta vida torta.
Mas ali, na casa Entrei
Porque o Meu Ser Conforta.

Todos estavam brindando
Alguns já embriagados.
Vem um velho gordo com 
Saco e casaco encarnados
Chamado: Papai Noel
Ficam, por fim, encantados!

Deixou-se cair pesado
Sobre enorme cadeira
Como se fosse seu dia 
Numa grande brincadeira:
Ho! Ho! Ho! Ho! A gritar
Era uma barulheira!

Quando chegou meia-noite
Gente a se abraçar
Dei os Meus Braços também
Mas ninguém a Me Notar
Entregaram os presentes
Mas Eu Fiquei Sem Ganhar.

O que você sentiria
Se na festa de seu dia 
Todos ganhassem presentes
Findava sua alegria
Se não ganhasse o seu
Seria grande ironia.

Aí, Percebi então
Que Eu estava sobrando.
Saí sem fazer barulho
Com o Coração Chorando,
Orando para o Meu Pai
Que Tá nos Iluminando.

Cada vez fica pior
Gente a querer a ceia
E sequer lembra de Mim
Preso em uma cadeia
Da festa do consumismo
Por uma vida alheia.

Neste Natal Gostaria
Me Permitisse você 
Em sua casa entrar
Para Me Reconhecer
Que Minha Vida na Cruz
O Salva, o Faz Vencer.

Só Quero que acredite
De todo o seu coração.
Vou Dizer-lhe uma coisa:
- Há muita festa e Eu não
Estou sendo Convidado!
Pois Farei a Minha Então.

Darei uma Grande Festa
Como ninguém jamais fez
É festa particular
Convido-o pra sua vez
Dê seu sim ou dê seu não 
Pois Este é o Meu Mês.
 
É Convite Especial
Com o lugar reservado
Basta a confirmação
Para que seja listado
Com o “Não” fica de fora
Reflita ao Meu Chamado!

Preparem-se porque Eu
Queridinhos filhos meus
Logo Estarei a Chegar
Convide os amigos seus
E lhes diga que o convite
É, pois, do Filho de Deus.

Como és Especial
Os Teus Amigos o São
Faremos a Nossa Festa
E Convidados Serão
Muitos, Poucos Escolhidos
Porque não aceitarão.

O CONVITE de seu Filho
Que é pura conversão
Pois cantemos Parabéns
Exaltando o coração
Para o menino Jesus
Em busca de salvação.

Parabéns, para o menino
De Deus, o senhor JESUS!
O Qual Salvou Todos Nós
Crucificado na CRUZ!
Hoje é Seu Aniversário
Nosso Presente de LUZ!

Parabéns, para Jesus
Que É Nosso Salvador!
Que Deu a humanidade
O Seu mais Divino Amor!
Parabéns, para o menino
De Deus, o nosso Senhor!

04/12/2007

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Olá, poetisa! Obrigado! Também nos alimenta da mesma beleza poética. Abraços filos!

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